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"A alma que não se abate, que recebe indiferentemente tanto a tristeza como a alegria, vive na vida imortal."Fonte - Bhagavad-Gita

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mentalizações

Elemento Terra



A terra é a base na vida comum. Na visão de mundo xamanista, ela é geralmente o centro de tudo e fica no centro da mandala, tanto nas representações gráficas quanto na experiência (no tantra e no Dzogchen, o espaço é considerado a base e o centro).

Quase todas as qualidades elementares da terra podem ser compreendidas intuitivamente: pesada, sólida, ligada, segura. A terra tem gravidade. Ela pode ser rica e fértil quando em harmonia com os outros elementos – quando há suficiente calor, umidade e ar de boa qualidade. Ela também pode ser fria e intolerável quando não há bastante calor, árida e escabrosa quando a água é pouca, chocha e sem vida quando há pouco ar.

Quando a terra está equilibrada em nós, sentimo-nos estáveis, firmes e confiantes. Não nos sentimos pesados nem aéreos demais. Estamos enraizados na nossa experiência. Não perdemos facilmente o equilíbrio e nem deixamos de estar em contato com o que é importante. Quando sabemos uma coisa, não perdemos esse conhecimento. Nossa convicção é firme. Nossas intenções não são varridas pelo impulso e nossos esforços são sistemáticos. Somos responsáveis e nos firmamos sobre os nossos pés. A dimensão mais elevada dessa qualidade é estar ancorado em puro ser.

Quando há terra demais, somos monótonos, sem graça, lentos e apagados. Sólidos demais. Incapazes de nos mover. Nosso pensamento é pesado, literal e sem criatividade. O excesso de terra pode nos deixar deprimidos, empacados ou resignados – na carreira, nos relacionamentos ou nas práticas espirituais. Fica difícil provocar uma mudança; nós nos identificamos com os problemas e eles parecem muito sólidos.

Dormimos muito. Tentamos meditar mas cochilamos. Depois, temos dificuldade para lembrar dos sonhos todos – ou não lembramos de nenhum. O excesso de terra pode nos deixar insensíveis e sem inspiração. Quando a terra é demais, ficamos calados o tempo todo ou, quando começamos a falar, não conseguimos parar. Tradicionalmente, o aspecto negativo da terra é a ignorância.

Quando a terra é escassa, ficamos sem âncora. Somos inconstantes, desorientados ou agitados. Incapazes de concluir o que começamos, não temos firmeza e somos insatisfeitos. Nunca nos sentimos em casa: estamos sempre procurando o que nos dê firmeza e segurança.

 Na prática da meditação, o equilíbrio do elemento terra é um apoio importante e necessário. Até mesmo nas práticas mais elevadas, como as do vazio no sutra , são recomendadas práticas de concentração que desenvolvem as qualidades da terra e a estabilidade mental. A mente precisa ser estável para progredir no caminho da meditação, e essa estabilidade se desenvolve a partir do fortalecimento do elemento terra.

- Extraído do livro: A Cura através da Forma, da Energia e da Luz, de Tenzin Wangyal Rinpoche

Meditação; O chakra relacionado ao elemento terra é o muladhara chakra, localizado na base da coluna.
O exercicio indicado é massagear a região, vocalizar e escutar o som "Vam "que está relacionado a este chakra e também fixar na mandala do chakra.






Elemento água
 
 
 

Quando o elemento água está em equilíbrio, há conforto em nós mesmos e na nossa vida. Somos fluidos, movendo-nos com facilidade em torno e através dos eventos e relacionamentos da vida. Água equilibrada é aceitação das situações. É alegre e contente. Na experiência pessoal, a dimensão mais elevada da água é a alegria de ser, um contentamento por estar vivo que é inato e independe de circunstâncias externas. Quando estamos ligados à alegria do elemento água, ela se manifesta externamente. Tendemos a ficar felizes com as pessoas que encontramos, com os lugares aonde vamos. Gostamos da vida.

Essa alegria pode ser perdida no inevitável sofrimento que acompanha a experiência dualista. Então, muitas vezes procuramos lá fora por ela, acreditando que nos sentiremos confortáveis na vida quando tivermos um novo parceiro, um emprego, riquezas, diploma, reconhecimento ou seja qual for a prioridade do momento. Achamos que a alegria é encontrada no que temos e fazemos, e não no que somos.
Na pessoa dominada pelo elemento água, pode haver muitos sentimentos e emoções e, às vezes, conforto demais. Conforto demais significa deixar as responsabilidades de lado e flanar pela vida. Significa perder-se no conforto, diminuir a produtividade, ficar satisfeito em situações que deveriam ser mudadas. Há uma tendência a não trabalhar muito no que é difícil, mesmo que isso signifique abrir mão do que é valioso.

Quando a água está em excesso, podemos ficar perdidos na emoção, jogados de lá para cá pelas ondas do sentimento, sensíveis demais a estados emocionais transitórios, chorosos ou vítimas da autocomiseração. Mais do que atolados no conforto do elemento água, ficamos atolados na maré das emoções.
A água, quando é muito pouca, nos traz desconforto, falta de alegria e nos deixa pouco à vontade na presença de outras pessoas. Mesmo quando estamos ancorados e firmes na terra, quando a água é pouca, essa solidez é do tipo seco, desprovida de prazer e satisfação. Quando a terra e a água estão deficientes, somos dominados pelo fogo ou pelo ar, ou por ambos, o que resulta em falta de firmeza e agitação excessiva. A falta de água na meditação significa desconforto interior na prática e perda da alegria no caminho espiritual. A prática pode se tornar árida e estéril.

As práticas que desenvolvem os aspectos positivos da água são as afetivas. Para os praticantes das tradições tibetanas, seriam elas: a Guru Yoga, que abre o coração, o desenvolvimento do amor e da compaixão, e a prática de dar e receber. A prática espiritual pode se tornar um projeto exclusivo da mente se o coração não estiver envolvido; nas tradições tibetanas, o amor e a compaixão são considerados necessários no caminho espiritual. O desenvolvimento mais elevado do elemento água na prática espiritual é o desenvolvimento da sabedoria especular.
- Extraído do livro: A Cura através da Forma, da Energia e da Luz, de Tenzin Wangyal Rinpoche

Meditação; O chakra relacionado ao elemento água é o swádhisthána chakra, localizado a quatro dedos abaixo do umbigo. O exercicio indicado é massagear a região, vocalizar e escutar o som "Vam " relacionado a este chakra e também fixar na mandala do chakra.





Elemento fogo

 
O aspecto positivo do fogo é a faculdade de criar, de iniciar projetos em todos os níveis e de realizar o que a criatividade põe em movimento. A intuição está relacionada ao fogo, assim como o entusiasmo e a excitação. O fogo em equilíbrio resulta em empreendimentos inspirados, felicidade no trabalho e realização.

O fogo está relacionado a uma felicidade que é diferente da alegria do elemento água, ligada ao contentamento e à aceitação. A alegria do fogo está mais relacionada a entusiasmo e êxtase no corpo, e à alegria de experiências estimulantes. A experiência mais elevada do fogo é a felicidade de ser. A sua mais elevada expressão é o desenvolvimento da sabedoria do discernimento.

As pessoas com excesso de fogo ficam agitadas com facilidade. Pequenas coisas acendem sua irritabilidade e elas podem reagir impulsivamente, explodindo sem pensar, em palavras e gestos furiosos. Intolerantes, podem ficar aborrecidas com religiões diferentes, raças diferentes e filosofias diferentes. Podem até se aborrecer com o jeito de alguém sentar-se ou falar.

Como o fogo é o oposto da terra, seu excesso muitas vezes resulta em falta de firmeza. Há um excesso de movimento e instabilidade. É difícil ficar quieto por cinco minutos: há sempre algo a ser feito. O silêncio e a calma são tediosos. Dormir é difícil. As pessoas com excesso de fogo gostam de falar muito, e depressa. A idéia seguinte surge antes que a primeira seja articulada. As coisas não param de acontecer.

Na prática da meditação, o excesso de fogo resulta em pensamentos rápidos e difíceis de controlar. As novas idéias surgem continuamente e parecem importantes demais para serem postas de lado. Há uma falta de calma, uma falta de paz, e um excesso de agitação e inquietação. A agitação pode vir de uma falta relativa de água e a instabilidade pode ser falta de terra.

Sem fogo suficiente no caminho espiritual, o praticante é desprovido da energia e da inspiração necessárias à prática ou tem dificuldade para encontrar nela alegria e êxtase. Em vez disso, a prática é feita mecanicamente, sem a inspiração para dar o salto para um novo conhecimento ou uma nova experiência.

Como resultado, o desenvolvimento da prática é muito mais lento.
Quando há deficiência de fogo, há também falta de vitalidade e de inspiração. Não há prazer no trabalho. Não há entusiasmo. Nada de novo acontece. A vida pode ser um ciclo de existência rotineira e arrastada. Ou então, quando o fogo é deficiente e há predominância de ar, pode haver movimento, mas repetitivo e pouco criativo. Intelectualmente, a pessoa pode ser muito perspicaz – devido ao ar – mas incapaz de criar a partir do que aprende.

- Extraído do livro: A Cura através da Forma, da Energia e da Luz, de Tenzin Wangyal Rinpoche

Meditação; O chakra relacionado ao elemento fogo é o manipura chakra, localizado no umbigo.
O exercicio indicado é massagear a região, vocalizar e escutar o som "Ram "que está relacionado a este chakra e também fixar na mandala do mesmo.
 
 
 
 
Elemento Ar
 
 
 
O ar é o elemento que traz a mudança: quem o tem bem desenvolvido pode transformar negativo em positivo, ódio em amor, ciúme em abertura, ganância em generosidade, orgulho e egoísmo em paz. O ar está relacionado à curiosidade, ao aprendizado e à flexibilidade intelectual. No seu aspecto mais elevado, ele é a sabedoria da meditação.

Quando o ar é dominante, as qualidades da terra e da água costumam ser deficientes. Há pouca estabilidade e satisfação. É difícil se ater a alguma coisa. Se estamos num lugar, outro parece melhor e, quando chegamos a esse outro lugar, queremos estar num terceiro. É difícil aceitar as coisas como elas são, difícil encontrar conforto no que existe. Ficamos irrequietos, incapazes de nos concentrar, preocupados ou inconstantes.

A felicidade dá lugar à infelicidade quando algo levemente negativo acontece. A resolução dá lugar à incerteza. A convicção desmorona com facilidade. Como não há gravidade interior, as influências externas nos arrastam de um lado para o outro.

Quando o ar é deficiente, é fácil empacar. Fica difícil mudar as coisas. Quando surge uma preocupação, ela permanece. Quando uma simples inquietação aparece, ela se aloja dentro de nós.
Quando o elemento ar está em equilíbrio, a preocupação e a inquietação dão lugar ao que vem a seguir – uma resolução é encontrada. O ar equilibrado nos permite ser flexíveis. Mesmo quando as coisas saem erradas, conseguimos apreciar outros aspectos da experiência: pode haver más notícias e um céu azul ao mesmo tempo. O ar permite que a mente avance em novas direções, que veja as coisas de perspectivas diferentes, levando ao acúmulo de conhecimento e compreensão. A rapidez com que você consegue transformar a raiva, a depressão, a irritação ou a autocomiseração numa coisa positiva está relacionada ao grau de desenvolvimento do elemento ar em você.

O elemento ar é também o prana, que conduz a mente. É por isso que o tantra e o Dzogchen recomendam movimentos e posturas físicas para controlar o elemento ar a fim de favorecer determinadas experiências. Quando o ar está perturbado, é difícil para a mente se concentrar. É difícil sentar-se para meditar. Há impaciência. As perguntas surgem e há necessidade de enunciá-las. Quando há excesso de ar, é difícil ter experiências da base vazia de todas as coisas, o kunzhi, porque a mente e a energia estão correndo de um lado para o outro, atraídas pela claridade e pela manifestação.

O ar liga tudo. Ele está relacionado a todos os tipos de comunicação. Como o prana, o ar elementar permeia tudo, em todos os lugares: ele é a energia essencial da existência.

- Extraído do livro: A Cura através da Forma, da Energia e da Luz, de Tenzin Wangyal Rinpoche

Meditação; O chakra relacionado ao elemento ar é o anahata chakra, localizado no coração.
O exercicio indicado é massagear a região, vocalizar e escutar o som "Yam "que está relacionado a este chakra e também fixar na mandala do mesmo.



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