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"A alma que não se abate, que recebe indiferentemente tanto a tristeza como a alegria, vive na vida imortal."Fonte - Bhagavad-Gita

terça-feira, 22 de julho de 2014

DIA FORA DO TEMPO



No calendário Maia os dias 23 e 24 de julho, que antecedem o dia-fora-do-tempo, são propícios para meditação, transformação e renovação, sobre o que devemos jogar fora, ao nos desapegarmos do que não nos serve mais, abandonar o que é falso em nossa vidas, e ao mesmo tempo, buscar na essência de nosso ser real aquilo que vale a pena para consolidarmos a presença do espírito divino cada vez mais presente em nossas vidas durante o próximo ano! 


O dia 25 de julho, o dia-fora-do-tempo no calendário Maia, é um dia especial comemorado pela cultura galáctica do calendário Maia como “o dia do perdão universal”. É um dia para se experimentar a total liberação da prisão do tempo.
No dia 26 de julho de 2014 se inicia o novo ano do Calendário Maia de 13 Luas de 28 dias, o próximo ano novo Maia e Egípcio, o ano Lua Solar Vermelhade 26/07/2014 a 24/07/2015.

Esse dia TAMBÉM corresponde com à ascenção, o REsurgimento da estrela SÍRIUS (origem de Sananda), a principal estrela da Constelação do Cão Maior (Canis Major), e a mais brilhante nos céus da terra, minutos antes do nascer do Sol no amanhecer do dia 26 de julho, fenômeno conhecido como o nascimento HELÍACO DE SÍRIUS o que ocorre anualmente EM TODAS AS MANHÃS DO DIA 26 de Julho e que era celebrado como o início de um novo ano no antigo EGITO.

Este auspicioso alinhamento anual de SÍRIUS com o nosso Sol (Hélios) – que marca também o início do novo ano do calendário Maia de 13 luas – assegura a propagação de luz e da abundância sobre a Terra E TAMBÉM INICIA O ANO NOVO NA CULTURA DO Egito antigo

No Egito antigo essa data (26 de julho) e evento astronômico marcava o inicio da celebração de um novo ano e o princípio das cheias do Rio Nilo, que trariam abundância pela fertilização de suas margens. Durante sete dias (uma semana), a divindade principal homenageada era ÍSIS, a principal deusa do panteão egípcio, a esposa e irmã do Faraó e o verdadeiro poder (o poder da deusa, feminino) por trás de seu trono e cuja representação nos céus é a própria estrela SÍRIUS.

O Faraó era representado nos céus pela constelação de ÓRION (Princípio Masculino). Sendo a estrela fixa mais brilhante do céu, SÍRIUS é, há muito tempo, vista como elo de ligação, o acesso a um estado de consciência mais elevado que auxiliaria na aceleração da evolução do nosso planeta e da humanidade cuja energia fundamental está associada ao Princípio Feminino do Divino, à energia da deusa: ÍSIS. 


O que é o Dia Fora do Tempo no calendário Maia? 
O Dia Fora do Tempo, anualmente lembrado com festivais desde 1992 a nível global, cai sempre a 25 de Julho. No Calendário Maia de 13 Luas, este dia não é dia de mês nem dia de semana. Está entre o dia que fecha um ano (24 de Julho) e o dia que abre o ano seguinte (26 de Julho). Este dia é dedicado a festividades, à comunidade, à volta da união com o planeta (reconexão com GAIA, o princípio feminino planetário). Os pontos focais são: parar o trabalho de todos os dias e atestar a verdade que afirma que “O Tempo é Arte!”. 

A celebração da Paz Planetária através da Cultura, do perdão, da reparação, o perdão de dívidas, da purificação, a Arte da Paz, da liberdade de se estar vivo. É uma oportunidade para se vivenciar a verdadeira atemporalidade e a amorosa bondade, a caridade, a solidariedade, a humildade e a gratidão.
Quer seja em reuniões públicas ou em círculos privados ou em introspectiva meditação este dia é um momento de catarse do ano que passou e de preparação para o ano que se inicia, uma forma perfeita para convidar as pessoas à harmonia do Calendário das 13 Luas no Ano da Lua Solar Vermelha (Julho 2014 a Julho de 2015)

SÍRIUS nos céus dos povos arcaicos 
SÍRIUS, pelo seu esplendor atraiu todos os olhares e monopolizou as atenções de povos arcaicos não apenas por ser a mais brilhante estrela do céu noturno na Terra como, porque isolada, não tinha ao seu lado estrelas notáveis segundo o astrônomo Rubens de Azevedo. Deificada, SÍRIUS foi astronomicamente a pedra basilar do panteão do Antigo Egito (3.200 a.C a 30 d.C) pois era a corporificação de ÍSIS, irmã e esposa de Osíris, ele personificado pela constelação que chamamos de Órion. 
No Egito antigo e dos faraós a coincidência entre o nascimento helíaco de SÍRIUS (em grego Sóthis), a cheia fertilizadora do Nilo e o solstício de verão fez com que a data fosse adotada como início de um novo ano – o ano Sótico. O termo “canícula”, alude à constelação de Cão Maior e sua estrela SÍRIUS (Canícula) e se refere à época do ano de dias com calor abrasador e sufocante, os “dies caniculares” dos antigos romanos (Império de Roma 753 a.C- 476 d.C). 
SÍRIUS “desaparece” dos céus noturnos da Terra durante 35 dias antes e 35 dias após a conjunção com o Sol, então ofuscada pelo brilho deste (período de 20 de junho a  29 de Agosto). Há uma invisibilidade desta estrela durante 70 noites antes dela ressurgir, visualmente, no seu nascimento helíaco em 26 de julho. 

Os sacerdotes egípcios demoravam igual número de dias a preparar um corpo para o embalsamamento. A linguagem do ciclo estelar correspondia à linguagem do rito funerário. Atualmente, no mês de julho, algumas comunidades esotéricas comemoram festivamente o nascimento helíaco de SÍRIUS com rituais, rufar de tambores, fogueiras e danças, mas quase que sem exceção.


Todas as nações indígenas da América do Norte, os índios peles vermelhas, assim como os antigos chineses, hindus, caldeus, babilônicos, sumerianos, assírios, hebreus, os Dogons da África, e demais povos da antiguidade, também veneravam e faziam celebrações a essas constelações e estrelas, como SÍRIUS, ÓRION e PLEIÂDES. 


Os grandes templos desses povos antigos eram construídos voltados para o leste (como o Templo de Salomão em Jerusalém), para que no dia 26 de julho de cada ano, no dia do nascimento helíaco de SÍRIUS um raio de luz dessa estrela penetrasse no âmago do templo, local conhecido como “Sanctun Santorum” (O Santo dos Santos), existente nas pirâmides e em vários outros templos egípcios, principalmente dedicados à ÍSIS. Para esses antigos povos e seus iniciados, esse era o momento mais sagrado de todos os dias do ano inteiro. 

Que possamos receber este novo ano com reflexão, em algum momento não tão longínquo nós estivemos nessas terras celebrando o novo em nós. 

Namastê
Lu Perez 

domingo, 20 de julho de 2014

Prana





pranamaya kosha, "camada" ou corpo de vitalidade, está composto de cinco formas diferentes que a energia vital assume, de acordo com seu movimento e direção no interior do corpo. Este é um tópico importante, não somente para o Yoga, mas igualmente para o Ayurveda, a ciência indiana da saúde e da longevidade. Essas cinco formas da força vital recebem o nome devayus ou pranas. Elas são:
Prana 
Prana significa literalmente 'força que se move para frente'. Regula todos os processos de absorção: o movimento inspiratório, a assimilação de alimentos sólidos e líquidos e a recepção das impressões sensoriais. É centrípeto por natureza e tem como finalidade colocar as coisas em movimento. Localiza-se na parte superior do tórax, entre a garganta e o umbigo.
ApanaApana significa literalmente 'força que se move para fora'. Controla todos os processos de excreção (sêmen, urina e fezes) e eliminação (eliminação de dióxido de carbono na respiração, menstruação e nascimento). Por causa dessa função de expulsão, o apana é responsável pelo bom funcionamento do sistema imunológico. No nível sutil, regula a expulsão das experiências negativas, emocionais e mentais. Movimenta-se centrifugamente, para baixo e para fora e está localizado na parte inferior do abdômen.
Udana 
Udana significa literalmente 'força que expulsa'. Governa o crescimento do corpo, a habilidade de ficar em pé, falar, esforçar-se e entusiasmar-se. Regula a distribuição da energia vital na região do pescoço. No plano sutil, regula os movimentos de transformação positiva e evolução da nossa existência.
Samana Samana significa literalmente 'força que equilibra'. Movimenta-se circularmente, da periferia para o centro, na região média do abdômen, entre prana e apana. Auxilia os processos digestivos em todos os níveis. Trabalha o trato gastrointestinal na digestão do alimento, os pulmões na absorção do oxigênio e a mente na assimilação de experiências sensoriais, emocionais ou mentais.
Vyana 
Vyana significa literalmente 'força que se move para fora'. Movimenta-se do centro para a periferia, entre o tronco e os membros. Controla todos os níveis de circulação: movimenta os nutrientes no corpo, os sentimentos e pensamentos no psiquismo, a administração da força de vontade e a coordenação dos outros quatro pranas.
Resumindo, podemos dizer que o prana regula a absorção de substâncias, oapana regula sua digestão, o vyana a circulação, o udana a liberação da energia positiva dessas substâncias, e o apana a eliminação dos resíduos que elas possam deixar.
as funções dos vayus
   prana
   absorção
   samana
   digestão
   vyana
   circulação
   udana
   liberação de energia
   apana
   eliminação
Para terminar de entender isto, pense no corpo como se fosse uma mâquina: o prana absorve o combustível, o samana transforma o combustível em energia, o vyana faz circular essa energia onde a mâquina estiver trabalhando e o apana libera os detritos, enquanto o udana administra a energia positiva criada no processo e determina o trabalho que a máquina está capacitada para fazer.
A chave para a saúde e o bem-estar é manter os cinco vayus em harmonia. Quando um deles está em desequilíbirio, os outros tendem a entrar em desequilíbrio também, já que estão todos interligados. De modo geral, pranaudana trabalham juntos, opondo-se a apana como forças de assimilação e energização que se opõem à força de eliminação. Da mesma forma, vyana esamana são opostos como forças de expansão e contração.

http://www.yoga.pro.br/artigos/431/3021/os-cinco-pranas

terça-feira, 15 de julho de 2014

Alguns ensinamentos do módulo transpessoal de Kaká Werá




  • Por Conta da nosso processo encarnatório esquecemos nossa ancestralidade, por isso a importância dos ritos para que não esquecemos de quem somos.

  • Ancestralidade Divina
  • Ancestralidade Alma
  • Ancestralidade Genealogica
Nossa ancestralidade da alma são os nossos ancestrais anímicos; os seres elementais da natureza deixando memória de alma, humores, temperamentos. Para os Kamayurás os seres humanos tem alma de procedentes namoros da natureza; o namoro do sol com o mar, o namoro da lua com as estrelas etc.
A ancestralidade é uma chama trina , nosso corpo hoje é de uma herança que vem da natureza de Seres que nos constituíram. 


  • Educação do sistema da palavra
Nheng = Alma
Nhen = palavra

A palavra tem que vir da alma; a alma e a palavra  tem o mesmo valor estão interligados. Na tradição tupi diz que toda palavra é de poderosa energia. 

O termo nhen nhen nhen ou: Deixa de nhen nhe nhen! É um termo tupi que diz deixa de falação.
1- Nhen nhen nhen; aquele que é dotado de veneno.
2- Nhe nhen nhen; o que perde energia com conversa fiada.
3- Nhen nhen nhen; o que é catalizador de possibilidade de idéias, estado criativo.

Os Guaranis trabalham para este princípio sagrado da palavra, assim criaram um estudo chamado nhen porã (fala sagrada). Que é um mantra, uma frase sagrada, ou até a substituição de um pensamento negativo para uma palavra positiva. Uma outra técnica usada foi o porã hey ( vogais sagradas) feitas no período da lua cheia. Ao fazer vibrar o som das vogais automaticamente a uma purificação mental. E a última técnica é o Kiri silêncio, estado de contemplação. Isso que vai te conduzir ao sagrado mistério.

Namastê
Lu Perez

domingo, 13 de julho de 2014

Swami Vivekananda




Uma linda semana, que todos possam ter recebido as bênçãos do Guru....Assim, como  recebemos no ritual do Guru Purmina ontem. Que a vontade de fazer o melhor seja maior do que o ego demolidor. Deixo esse lindo sutra a todos com a certeza do amor do GURU PARA CONOSCO.



Tradução do Khandana Bhava Bhandana, composto originalmente por Swami Vivekananda em bengali


Nós Te adoramos, ó Tu que rompes os laços
mundanos, Tu que és honrado por toda a
humanidade! És ao mesmo tempo o Ser
transcendente sem atributos e a Pessoa Divina com
atributos, ó Tu sem pecados, materializado como
homem!

Ó redentor de todos os pecados! Ó jóia de todos os
mundos! Ó pura consciência materializada! Teus
olhos, santificados pelo colírio de jñana, destroem
a ilusão da ignorância.

Tu és realmente um oceano de sentimentos
espirituais luminosos e sublimes, sempre açoitado
pelas ondas do amor inebriante. Tu és um verdadeiro barco
para cruzar o oceano do samsara.

Senhor do universo, manifestado na idade moderna,
para ajudar a humanidade em sua busca espiritual. Por Tua
graça eu vejo isto com clareza, ó Tu cuja mente
está sempre estabelecida em transcendente
samadhi!

Ó destruidor de todas as aflições!
Misericórdia materializada! Tremendo
trabalhador! Tua vida é uma oferenda de amor
para a redenção da humanidade, o poder que
destrói as correntes que nos prendem.

Tu és o conquistador da luxúria e da cobiça, Aquele
que rejeita todas as tentações das atrações
sensoriais. Concede-nos um amor firme pelos Teus
pés abençoados, ó Senhor de todos os renunciantes,
ó Tu o mais nobre dos homens!

Nós Te adoramos, ó destruidor dos laços
mundanos! Ó Tu, honrado por toda a
humanidade!

Vitória ao Grande Guru!

Guru Purmina - Carmen Balhestero





http://www.4shared.com/mp3/5TqGbWY2ce/Ritual_Guru_Purmina_13-7-14.html




Namastê

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Yoga e Nadis por Valeria Prado





Antes de praticar hatha yoga trabalhei como massagista, numa linha ligada à medicina tradicional chinesa. 
Ao iniciar o curso de formação de professores, comecei a perceber que as posturas trabalhavam regiões por onde passam os meridianos de energia, ponto de partida da acupuntura, moxabustão, shiatsu, etc... 


Lendo o livro do professor Hiroshi Motoyama (Teoria dos Chakras), constatei com alegria que ele fazia a correlação entre os nadis, da yoga, e os meridianos da medicina chinesa. Isto me deu ânimo para continuar pesquisando, através de leituras e principalmente da observação do meu próprio corpo e mente.


Tenho norteado minha prática, desde então, pela observação da energia que flui por estes canais, e hoje em dia sinto-me à vontade para conduzir minhas aulas nesse sentido, e para abrir este tema a reflexões mais amplas.

Devo ressaltar, a bem da verdade, que os pensamentos aqui expostos nada têm de originais; são apenas uma síntese do que recolhi – um pouco aqui, um pouco ali.  

Os sábios chineses, observando a natureza, perceberam que tudo está em constante transformação. Dois princípios, ao mesmo tempo opostos e complementares, estão  presentes em todos os fenômenos. Chamaram estes princípios de yin e yang.

Yin é o princípio feminino, cujos atributos são: a noite, o repouso, o que acolhe (receptivo), o sombrio, o vazio, a água, o interior.
Yang é o princípio masculino, cujos atributos são: o dia, o movimento, o que penetra (objetivo), o luminoso, o cheio, o fogo, o exterior,

Estes princípios não são estáticos, mas estão em constante movimento, transformando-se um no outro. Quando o yang chega ao seu ponto mais alto, transforma-se em yin (como as lágrimas que surgem no auge de um ataque de raiva).

Assim como dias e noites se sucedem, também as estações do ano transformam-se umas nas outras.
Estas transformações não ocorrem caoticamente, mas observam leis naturais, que também regem a vida humana, como parte que somos da natureza.

Assim, todos nós temos nossa primavera, na infância, onde tudo é novo e fresco como um broto; temos o esplendor do verão, na juventude, o amadurecimento do outono na maturidade, e a época de recolhimento e preparação para a morte, no inverno da nossa velhice. A sabedoria consiste em conhecer e respeitar cada fase, extraindo da vida a beleza peculiar a cada estágio.

As peculiaridades de cada estação permitiram aos chineses da Antigüidade correlacioná-las com elementos da natureza. Diga-se de passagem que eles davam a estes elementos o nome de “estados de mutação”, o que é coerente com a visão dinâmica do mundo que eles possuíam.
Estas energias fluem no organismo humano através dos meridianos, e é este ponto que nos interessa. Ao permanecermos em uma postura (asana), com a mente serena e concentrada, podemos sentir a energia vital fluindo através destes meridianos.


 Quando sentimos dificuldade em permanecer numa determinada postura, isto pode indicar que o meridiano trabalhado na postura está bloqueado. A energia não consegue fluir livremente – temos uma condição de excesso de energia.Quando a postura é executada facilmente, mas a mente não consegue ficar estável (como se não quisesse entrar em contato com “alguma coisa”), - ficamos impacientes para sair daquela posição – isto pode indicar que há falta de energia no meridiano em questão.


Quando a energia vital flui livremente por um meridiano podemos sentir seu fluxo e há prazer em permanecer na postura, por períodos cada vez mais longos – a postura se torna “estável e confortável” – este é o ideal preconizado por Patanjali no Yoga Sutras.
Cada meridiano está relacionado a um tipo de emoção; conhecendo seu estado energético nos tornamos mais conscientes de nossos estados emocionais e podemos trabalhar para equilibrá-los.
 Por tudo isto, acredito na importância de trabalhar com consciência nossos meridianos, permanecendo nos asanas. Escolhi refletir sobre cada estação do ano e os meridianos ligados a ela. 

Primavera

Nesta estação do ano a vida brota na natureza, após o descanso do inverno. A energia que estava sendo cuidadosamente armazenada pelas plantas irrompe, gerando os brotos e uma nova vida.
Em nosso organismo (e em nossas vidas) é o tempo de transformar, depurar o “velho” para que brote o “novo”. Nossa energia se volta para o movimento, a ação, a realização daqueles projetos que idealizamos no recolhimento do inverno.

O elemento que predomina nesta estação é a Madeira (as árvores e plantas que se renovam) e os meridianos ligados a esta energia são os relacionados aos órgãos do fígado e da vesícula biliar.A energia vital fluindo livremente por estes meridianos gera a capacidade de fazer opções, decidir entre diferentes caminhos/projetos. 

É a época em que temos o impulso de realizar coisas no mundo, de exercer nossa capacidade criativa para transformarmos a nós mesmos e a nossa realidade. Por estarem ligados ao crescimento, ao movimento, fígado e vesícula biliar (F/VB) regem  nossos músculos e tendões.

A emoção ligada a eles é a raiva, que nada mais é do que um impulso para o movimento, para realizar uma expectativa, que nós bloqueamos. Geralmente a raiva parece ter uma causa externa – uma pessoa, ou uma situação “criaram” a raiva dentro de nós -, mas se analisarmos esta emoção do ponto de vista de nossa vontade de alterarmos a vida de outros para nos sentirmos bem, veremos que ela brota de uma expectativa interior que não foi concretizada.
Podemos sentir a energia fluindo pelos meridianos de F/VB quando permanecemos em posturas laterais, por exemplo, Uttitha TrikonasanaParighasanaUttitha Parsvakonasana.A energia de cada meridiano pode também ser equilibrada por cuidados relativamente simples com nossa alimentação, bem como cuidando de nossa vida anímica.



Alimentação
Uma vez que o organismo está se depurando é importante não sobrecarregá-lo com excesso de gorduras, proteínas de origem animal e alimentos pesados em geral.
Ajudam a equilibrar a energia os brotos, as folhas tenras, miúdas (salsinha, manjericão, orégano), as folhas verde-escuras, como rúcula, agrião, couves.
O sabor ligado a estes meridianos é o ácido, que nesta estação deve ser usado com cuidado, para não provocar excesso de energia. Utilizadas com equilíbrio as frutas ácidas (laranja, mexerica, abacaxi...) ajudam a harmonizar a energia do fígado.


Alimentos anímicos
O contato com a natureza, que está exuberante na primavera, equilibra a energia de F/VB.
Toda atividade que nos permite desenvolver nossa criatividade, bem como o contato com pessoas criativas e calmas, também favorece esta energia.Como o elemento Madeira tem uma natureza ascendente, a prática da meditação ou a busca de um caminho espiritual (não necessariamente uma religião formal) cooperam com a sua harmonização.
Para finalizar, descrevo alguns indicadores de desequilíbrio nos meridianos de fígado e vesícula biliar: falta de vontade, irritabilidade, tendência a gritar e/ou a chorar por qualquer coisa.

Verão

O elemento preponderante nesta estação do ano é o Fogo, que ao mesmo tempo aquece e ilumina.
Na primavera vários brotos surgiram, semelhantes entre si, frágeis, exigindo força para sobreviverem e crescerem. Agora, no verão, as coisas ficam claras, diferenciadas. Já sabemos quais brotos conseguiram crescer, quais morreram; em nossas vidas temos consciência de quais são os projetos em que realmente querermos continuar investindo. Temos clareza do que “vale a pena”. 
Esta escolha é feita pelo nosso coração; por mais que a razão nos diga que o caminho x é mais seguro, ou melhor, se nosso coração não está aí, dificilmente teremos êxito. Porém, esta escolha do coração não é cega, passional, mas está ancorada nas necessidades da nossa alma, do nosso centro, e é baseada na intuição – a capacidade de ver mais longe e com mais clareza, além das limitações do ego e da mente racional.
Os meridianos ligados à energia do fogo são coração e intestino delgado. Através da circulação do sangue eles também fazem circular o calor e o entusiasmo por todo o nosso organismo. Sem este entusiasmo não nos seria possível continuar com os projetos que iniciamos na primavera. A generosidade e a compaixão também se relacionam com estes meridianos; costumamos dizer que uma pessoa tem “um bom coração”, ou “um coração de pedra”.
Podemos sentir a energia vital fluindo por estes meridianos quando permanecemos em posturas como: Gomukhasana (a postura da cara da vaca), Baddha Konasana.

Alimentação
O sabor ligado ao elemento fogo é o amargo; devemos ingeri-lo com cuidado durante o verão. Um pouco deste sabor estimula a energia de C/ID, mas seu excesso descontrola o ritmo do coração e a temperatura dos órgãos.
Frutas e frutos frescos e suculentos, saladas coloridas, de preferência preparadas cruas e temperadas com pouco (ou nenhum) sal, vegetais ligeiramente refogados, ou cozidos no vapor, fazem muito bem a esses meridianos. Como a energia do fogo está ativada, devemos evitar cozinhar demais os alimentos, pois isto ativa ainda mais esta energia, podendo gerar excesso. 
Alimentos amargos, como:jiló, couve, chicória, serralha, catalônia, raditi, escarola, folhas de cenoura, etc... estimulam a energia de C/ID. Como foi dito antes, devemos evitar o seu excesso.


Alimentos anímicos
Estando o coração ligado aos sentimentos, ao calor humano, sua energia harmoniza-se quando convivemos com pessoas amorosas, compassivas, bem como desenvolvemos em nós mesmos estas virtudes. 
Tomar banhos de sol (antes da 11 h e após as 15 h). Contemplar o nascer e o pôr do sol, permitindo maravilhar-se com estes espetáculos, cuidar do aconchego do nosso lar (ter flores em casa ajuda a equilibrar a energia do coração).
As emoções ligadas a esses meridianos são a sinceridade amorosa e serena, a compaixãoe a generosidade.

Em desequilíbrio esta energia gera histeria ou uma tristeza permanente (luto).

Alto Verão

Este período corresponde ao final do verão, onde se inicia a passagem das estações de características mais yang (primavera e verão), para as estações mais yin (outono e inverno). A energia vital passa por uma fase de centralização.
Em nós a terra é o centro do corpo: timo, estômago, pâncreas e baço, umbigo.
É o centro da atividade mental: idéias e opiniões, capacidade de reflexão. É o centro do espaço que nos envolve: carne que reveste os nossos ossos e músculos, que nós dá uma aparência e identidade corporal. 

O elemento desta estação é a Terra; em equilíbrio faz com que fiquemos em paz com quem somos, e nos sentimos em casa onde quer que estejamos, pois sempre estamos em nossa própria casa/corpo/mente.A boca, os lábios, tudo ligado ao comer, mas também ao sorrir, cantar, se comunicar, está ligado à terra. Os meridianos relacionados a esse elemento sãoestômago e baço-pâncreas. A assimilação daquilo que ingerimos, bem como das experiências que passamos, está ligada a estes meridianos. A capacidade de aceitar as pessoas, “assimilá-las” (compreendê-las), também tem a ver com a energia de E/BP.


Alimentação
O sabor ligado ao elemento terra é o doce; quando ingerido em excesso gera desequilíbrios nos meridianos de E/BP. É preferível ingerir alimentos naturalmente doces, usando com cautela o açúcar (evitar o açúcar refinado).
Alguns dos alimentos que favorecem estes meridianos: carboidratos complexos, fornecidos por cereais, feijões, tubérculos, raízes, bulbos, cebola, abóbora, nabo, beterraba, maxixe, inhame. Também é bom utilizar temperos: louro, coentro, açafrão, hortelã, cominho, alecrim, sálvia, cravo, canela, etc... As frutas amarelas ou amareladas também são bem-vindas: laranja, lima, maracujá, mamão,... in natura ou em forma de sucos.


Alimentos anímicos
O contato com a terra, seja cuidando de uma horta, jardim, ou mesmo de um vaso de plantas, harmoniza a energia dos meridianos de E/BP.Caminhadas em ritmo acelerado, por mais ou menos 40 minutos, auxiliam a manter em equilíbrio a energia do elemento terra.
Cuidado com a boca: comer demais e abusar de açúcar são os pontos fracos nesta estação do ano.
Como o alto verão marca a passagem para as estações de energia mais yin, é saudável começar a preparação para esta fase, fazendo períodos diários de meditação, ou tirando alguns momentos do dia para atividades voltadas para a interiorização.
Alguns sinais de desequilíbrio em E/BP são: depressão, tendência exagerada ao isolamento, ansiedade, falta de paciência e de perseverança, pressa constante, comportamento obsessivo, neuroses. 
Podemos sentir a energia fluindo por esses meridianos quando permanecemos em posturas como o Virasana e principalmente o Supta Virasana.


Outono

Entramos num período de recolhimento, nos preparando para enfrentar o inverno. É a época em que colhemos aquilo que estivemos cultivando desde a primavera. Tempo de alegria e de compartilhar; não semeamos e nem cuidamos sozinhos daquilo que foi plantado. Quer tenhamos consciência ou não, sempre há companheiros de jornada; às vezes, aquele que apontou falhas e criticou nossos projetos foi nosso melhor mestre. Nossos filhos são também grandes mestres quando (especialmente na adolescência) nos apontam características nossas que nos desagradam. 
Enfim, há muito para auto-observar, não para se punir ou sentir diminuído, mas para desenterrar os tesouros ocultos dentro de nós e lapidá-los. 
O outono está relacionado com o elemento Metal, que se encontra no interior da terra e exige esforços para ser extraído. Os meridianos ligados a este elemento são pulmão e intestino grosso
Podemos sentir a energia fluindo por eles quando permanecemos no Tadasana (postura da montanha), Virabhadrasana.

Alimentação
O sabor ligado ao metal é o picante; seu excesso pode desequilibrar P/IG. 
A energia do metal é de natureza seca e pesada, portanto podemos equilibrá-la com alimentos de natureza leve. Assim sendo, devemos tomar cuidado com açúcar e laticínios, cujo excesso de consumo, nesta fase, aumenta a produção de mucos, prejudicando o intestino (diarréia, gases) e os pulmões (resfriados, sinusites, rinites, ...)
Cooperam com a energia do metal: raízes, como cenoura, nabo comprido, bardana, lótus, mandioquinha, e os sabores picantes dos temperos – cebola, alho, gengibre, salsão. Caldos com missô ajudam a limpar os pulmões e beneficiam a flora intestinal. O chá verde (Ban-chá) também favorece o intestino. O mel de abelhas é o melhor adoçante para esta fase.
Como a energia do metal é seca o organismo pede muita água durante o outono.


Alimentos anímicos
A energia se harmoniza, nesta estação, através do contato com as montanhas, grutas, as pedras de onde brotam água, as cachoeiras.É tempo de refletir sobre aquilo que plantamos e colhemos, pranteando as nossas perdas, para deixar que elas se vão. Através da paz e tranqüilidade vamos adquirindo interiormente a certeza de que só aceitando as perdas haverá renovação
Quando em desequilíbrio, a energia do metal gera: dificuldade de desapegar-se (no corpo isto se converte em prisão de ventre), mágoa, ressentimento, desejo exagerado de manter tudo e/ou todos sob controle, o que torna impossível relaxar e fluir com a vida.

Inverno

A estação onde a energia se recolhe para o interior; época em que necessitamos de repouso e do aconchego das pessoas que realmente amamos.
Não é uma época para contatos sociais superficiais (festas, badalações), que cabem melhor na primavera e no verão, pois no inverno estamos mais emotivos e precisamos de intimidade e de relacionamentos baseados na sinceridade, na nossa verdade interior.
O inverno está relacionado com o elemento Água, que flui ininterrupta e tranqüilamente, contornando os obstáculos, buscando o caminho de menor resistência. Assim também são nossas emoções – fluindo espontaneamente quando em equilíbrio. Os meridianos ligados a este elemento são rins e bexiga
Podemos sentir o fluxo da energia através deles quando permanecemos em posturas como:PaschimottanasanaHalasanaPada Hasthasana.


Alimentação
Nesta estação o elemento fogo está mais escondido, por isto precisamos de mais calor em nossa alimentação. Podemos acrescentá-lo utilizando alimentos assados ou que exijam maior tempo de cozimento. 
O sabor ligado ao elemento água é o salgado; seu excesso pode prejudicar a energia de R/B.
Como a água já é fria e úmida, convém moderar a ingestão de alimentos desta natureza. É o momento de utilizar na alimentação as frutas secas – uvas passas, nozes, amêndoas, avelãs, sementes de abóbora e de girassol, castanhas, amendoim (cuidado para não salgá-los). Também vão bem as raízes, especialmente nabo, bardana e cenoura, os feijões em geral, deixados de molho na véspera e temperados com sementes torradas e moídas: coentro, mostarda, e ervas aromáticas – cebola, alho e gengibre.
Cuidado com o excesso de produtos de origem animal, que sobrecarregam a energia dos rins; prefira peixes pequenos de água salgada (sardinha, manjuba, ...)



Alimentação anímica
O repouso, a contemplação, o livre fluir da vida – sem planos e sem temores. A água está relacionada com a sabedoria, que reconhece a impermanência de todas as coisas. O afeto não pode ser comprado ou barganhado, e no entanto ele é a única fonte real de felicidade nesta vida passageira. Contemplando a natureza, a beleza que reside na simplicidade de nossas crianças, desenvolvemos uma sensação de humildade e de gratidão.Em desequilíbrio R/B geram o medo que contamina tudo na nossa vida, impedindo o raciocínio objetivo, criando o pânico. 
A ansiedade é uma forma difusa deste medo, pois ela nos leva a querer trazer o futuro para o presente, para controlá-lo, evitando surpresas que gerariam o medo. 
As dificuldades nos relacionamentos afetivos muitas vezes nascem deste mesmo medo de se abrir para o desconhecido; criamos uma imagem ideal do “outro” e nos relacionamos com ela, para nos sentirmos seguros. 
Quando endurecemos nossos sentimentos acabamos criando pedras nos rins, pois tudo que não flui endurece ou apodrece.

Estes são apenas alguns traços de um quadro que é muito mais rico e inspirador. 
Espero que o praticante de yoga possa, através de sua própria observação e percepção, acrescentar novas e coloridas pinceladas neste esboço.


Namastê
Lu Perez





http://valeriaprado.coaraci.net/ioga/nadis.html














sexta-feira, 4 de julho de 2014

Prem Baba





Prem Baba
Como andar sob o fio de uma navalha? Isso aqui é uma escola e é muito importante que você possa ir para o mundo colocar em prática aquilo que você aprendeu. Sempre haverá um barulho lá for (nesse momento, um motor foi acionado fora do salão) a, quer seja o barulho de um motor; quer seja a serra elétrica ligada ou quer seja a mente tumultuada de um grupo de pessoas. O cultivo do silêncio está afinando o seu instrumento no diapasão da luz. Estamos nos colocando na frequência da luz.
Mas é mesmo bastante desafiador esse relacionamento com as diferentes frequências de energias. Esse é o seu principal desafio: sustentar o silêncio; manter o coração aberto enquanto você está se relacionando com o outro, que muitas vezes não está presente. Manter o coração aberto quando você está se relacionando com o outro que muitas vezes está com o coração fechado. Manter o amor fluindo, quando muitas vezes está se relacionando com o outro que está sendo canal de ódio; está sendo canal de medo.
Mas muitas vezes você precisa mesmo ficar mais recolhido. Não há nada de errado com isso, são momentos. Quando você está em um estudo fino; quando você está precisando mesmo preservar o campo de prece e sabe que se for para o mundo terá uma grande tendência de se identificar e cair, então neste momento você se permite ficar recolhido. Mas saiba que em algum momento você terá que ir para o mundo e precisará se relacionar. A chave, ou o ponto central dessa questão, é se você está realmente disposto a se doar. Se você está querendo ver o outro feliz; se você já está em condições de começar esse estudo mais elevado que é ser canal da generosidade; que é poder realmente partilhar esse silêncio, esse amor com os demais, mesmo que eles nem saibam disso; mesmo que conscientemente eles nem queiram isso ou pior, tenham até raiva disso.
Lembre-se de que o que caracteriza a maturidade espiritual é essa capacidade de se doar. Se você não está neste momento, ok. Também não vai criar a máscara do bondoso, do generoso, do espiritual. Ok, então admita o seu egoísmo. Eu não tenho nada para dar neste momento mesmo. Não quero dar nada neste momento. É uma passagem também absolutamente natural. Mas saiba que você está se movendo do egoísmo para o altruísmo. Você pode não estar ainda podendo ser canal do altruísmo, mas em algum momento você poderá manifestar isso. Não se cobre, não se culpe, mas saiba, não se engane.
Em algum momento essa capacidade de perdoar e de amar precisa ser iluminada. Em algum momento você vai precisar renunciar o jogo de acusações, porque é a acusação que faz seu coração ficar fechado. Se o coração está fechado, vá investigar e você vai encontrar a acusação. Às vezes, essa acusação está tão arraigada, você está tão viciado neste jogo que nem percebe. Você faz mecanicamente. Se existe acusação, tem comparação. E a comparação e o julgamento abrem as portas do inferno. Aí você acaba realmente acordando sua natureza inferior. Então, você perde o silêncio, perde o amor que foi conquistado.
Isso tudo você vai aprendendo na vida, à medida em que você se permite se relacionar. Você não tem como fugir de relacionamentos, porque a vida é relacionamento. Você se relaciona com outro ser humano, relaciona-se com os objetos ou com seus próprios pensamentos, mas você vai sempre precisar se relacionar com alguém ou com alguma coisa. Muitas vezes não importa com quem você está se relacionando. Eu vi uma vez uma pessoa tropicando em um degrau da escada e chutando a escada porque tinha tropicado, culpando o degrau porque tinha derrubado-o. Então, não faz muita diferença. Quando a sua mente está condicionada e viciada no jogo de acusações, você arruma briga até com o vento. Arruma briga com a chuva.
Namastê