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"A alma que não se abate, que recebe indiferentemente tanto a tristeza como a alegria, vive na vida imortal."Fonte - Bhagavad-Gita

sábado, 16 de julho de 2016

GANESHA




Ganesha é o primeiro Deus a ser reverenciado em todos os rituais Hindus. Está nas portas dos templos e casas protegendo as suas entradas. Ganesha é o Deus que remove todos os obstáculos, ele é o protetor de todos os seres. Ele também é o Deus do conhecimento. Ganesha representa o sábio, o homem em plenitude, e os meios de realização. Sua figura revela um significado profundo e necessita ser desdobrada.


Sobre sua origem
Ganesha é filho de Shiva e Parvati. Shiva é o Deus criador do Yoga, vivia nas montanhas dos Himalayas e raramente visitava sua esposa Parvati. Shiva e Parvati abraçados são a representação do Tantra. Os Puranas dizem que a relação sexual durava milênios mas Shiva não ejaculava, tinha completo domínio (Vama Tantra), assim Shiva não tinha filhos. 

Parvati gostava de se preparar para receber Shiva, mas todos os guardiões falhavam quando se tratava de Shiva, assim Parvati resolveu ter o seu próprio filho e guardião; retirou de si o material e deu vida a criança, Ganesha aprendeu a lutar bravamente e se tornou o guardião de seus aposentos. 

Um dia Shiva chegou e quis entrar, Ganesha bloqueou sua entrada. Shiva não aceitou de ser impedido de entrar e ordenou que seus guardas lutassem, Ganesha venceu todo o seu exército então Shiva lutou até decapitar Ganesha. 

Parvati chorou muito e reivindicou que Shiva devolvesse a vida a seu filho , Shiva disse que ele não podia ser seu filho, realmente ele era somente filho de Parvati - a matéria mortal, assim Shiva ordenou que seu exército fossem para o norte e que trouxessem a primeira cabeça de um ser vivo que encontrassem; encontraram um elefante. Shiva colocou a cabeça de elefante sobre o corpo do menino e deu vida a ele. Parvati exigiu que Ganesha fosse o primeiro a ser reverenciado em todos os rituais. Ganesha passou a ser filho também de Shiva e se tornou um Deus.

Significado de sua origem
Como todas as lendas encerram dentro de si um significado maior, vamos desdobrar a simbologia da história de Ganesha. Primeiro conta os Puranas que Ganesha tem um corpo físico “criado” por Parvati, símbolo da matéria perecível, ou seja que é humano. Mostra que ele não conhece o pai - Shiva, a realidade Suprema. Quando Parvati solicita sua proteção ele a obedece incondicionalmente (cuida a matéria, é apegado a ela). Quando seu pai chega, luta com ele (não quer perder a individualidade) não o reconhece, mas luta com bravura, quer cumprir o seu dever. O pai admira sua coragem, mas não podendo deixá-lo vencer, corta a sua cabeça (ego, mente, arrogância) e ele morre. Parvati zangada com a morte do filho mostra a matéria não querendo perder seu “nome e forma”. Shiva coloca uma nova cabeça no filho que renasce pelas mãos de Shiva, nasce do supremo. Parvati ficando contente com as promessas de Shiva de que seu filho será reverenciado no início de todos os rituais e cerimônias e, antes de qualquer empreendimento mostra que a perda da individualidade é o ganho do absoluto, da plenitude. O sábio vence todos os desafios, luta com bravura, remove todos os obstáculos e depois morre, perde a cabeça para ganhar uma nova dada por Shiva, o absoluto.

Simbologia
Ganesha tem uma enorme cabeça de elefante, imensa para um corpo de menino indicando sua capacidade intelectual e a firme dedicação ao estudo das escrituras. Ganesha é o Sábio. Ganesha tem na fronte o Vibhuti e um pequeno tridente indicando que é filho de Shiva - o Senhor da disciplina e da aniquilação da ignorância, indica também, que o sábio tem sempre em mente o Ser Supremo.

As enormes orelhas e a cabeça de elefante representam os dois primeiros passos para a auto realização - “Sravanam”, escutar o ensinamento e “Mananam”, refletir sobre ele. A tromba representa “Viveka”, a capacidade de discriminação entre Nitya, o eterno e ilimitado, e Anitya, o não eterno. O intelecto do homem comum está sempre preso entre os pares de opostos (as presas), o Sábio não é mais afetado por esses pares de opostos (frio-calor, prazer-dor, alegria-tristeza,etc) tendo atingido um estado de equanimidade , representado por uma das presas quebrada. O Sábio nunca esquece sua verdadeira natureza (memória de elefante).

A barriga enorme representa sua capacidade de engolir, digerir e assimilar todos os obstáculos, assim como o ensinamento escutado. O ratinho que fica aos seus pés simboliza o Ego e seus desejos com sua voracidade e cobiça, freqüentemente roubando mais do que pode comer e estocando mais do que pode lembrar. O Sábio tem o desejo sob total controle, por isso o ratinho olha para cima e aguarda sua permissão para comer os objetos dos sentidos. No dia de Ganesha é aconselhável não olhar para a lua, pois conta os puranas que a lua riu de Ganesha voando pelo céu em seu veículo o ratinho(corpo). A lua representa o ignorante rindo do sábio. Esta imagem representa o Sábio tentando passar sua sabedoria infinita através de seus equipamentos finitos(corpo e mente).

Ganesha possui quatro braços que são utilizados na ação de destruir os obstáculos: A mão superior direita carrega uma machadinha - Ishvara na forma de Ganesha (senhor dos obstáculos) decepa os apegos aos objetos como fonte de felicidade e a falsa identificação com o corpo , elimina os obstáculos para que possamos ter uma mente tranqüila e possibilitar o conhecimento.

A mão superior esquerda leva um laço e ou um lótus - Com o laço ele prende a atenção na verdade, na realidade suprema, ou seja no Eu absoluto. O Lótus é a natureza pura, absoluta e imaculada.

A mão inferior direita abençoa com Abhãya Mudrã - Este mudrã abençoa com prosperidade e destemor. Freqüentemente encontramos um Japa-mala, mostrando que esta prosperidade está na forma de Japa (repetição de um mantra) a mais eficaz técnica de preparação da mente.

A mão inferior esquerda oferece Modaka - Modaka é um doce de leite e arroz tostado que representa a satisfação, a plenitude que se alcança com um caminho de disciplina e auto conhecimento.


Namastê






sexta-feira, 15 de julho de 2016

Aprenda a Se Aceitar Como Você É




Sede Internacional da Self-Realization Fellowship, Los Angeles (Califórnia)

A introspecção e a auto-análise são essenciais para o melhoramento pessoal. A primeira sloka do Bhagavad-Gita diz: “Todos reunidos, dispostos para lutar, o que fizeram meus filhos [minhas boas e más tendências]?”2 . Em outras palavras, examinarei meus pensamentos e ações deste dia: Estão me conduzindo para meu objetivo? Como me comportei? Agi com atrocidade? Tenho mentido ou enganado?

Tenho sido egoísta, cobiçoso ou pouco amável? É dessa forma que devemos fazer a introspecção. A introspecção é uma prática muito construtiva, quando não é empregada para pensar obsessivamente em suas debilidades a ponto de mergulhar numa depressão ou em sentimentos de culpabilidade tão intensos que lhe levem a se odiar. Isso implicaria em abuso e um emprego errôneo da auto-análise. O fato de se concentrar em seus defeitos lhe impede de alcançar o que você deseja, porque quanto mais você se identifica com eles, mais poderosos se tornarão. Você não é as suas imperfeições; você é a alma sempre perfeita.

O propósito da introspecção consiste em lhe ajudar a reconhecer, sem paixão, as deficiências da personalidade que escondem sua divindade inata, a fim de que você possa superá-las. Se você tem uma debilidade ou um problema de conduta, não necessita contar para todo mundo. Mas faça algo para corrigi-lo. Analise-se com sinceridade e comece a aperfeiçoar o que considera pouco agradável em você. Esta é a forma correta de praticar a introspecção. Não se preocupe com os pecados que você acredita haver cometido no passado, pois agora não fazem parte de seu ser. Este é um princípio sobre o qual Gurudeva Paramahansa Yogananda frisava muito. Corrija-se e, depois, tudo aquilo que foi mal feito já não lhe pertencerá; sendo assim, esqueça-o.

Cristo disse a muitas pessoas que Deus lhes havia perdoado, mas a cada uma lhe advertiu: “Não peques mais”, ou seja, não repita o erro. Agarre-se ao pensamento de que seu passado foi perdoado e aprenda a se querer bem. O fato de se gostar, tal como você é, nada tem a ver com o ego; significa apenas aceitar-se tal como Deus lhe aceita. Não existe ação indevida – qualquer que seja esta – que Deus não nos perdoe, se realmente nos afastamos do comportamento errôneo. Nada existe que você tenha feito que todos os que estão aqui reunidos não tenhamos realizado também em alguma vida. E não é só isso; além disso, não existe ação sua que não tenha sido concebida primeiramente por Deus ou, do contrário, você não a poderia ter executado.

Jamais devemos temer que Ele nos veja tal como somos. Ele já conhece cada um de nossos defeitos e cada erro que tenhamos cometido em nossas numerosas vidas. Sem dúvida, Ele não nos abandonou; pelo contrário, nos ama incondicionalmente, e esse amor que Ele nos prodigaliza jamais modificará. Algumas pessoas se consideram indignas, e continuamente se concentram nisso. Suas mentes não estão enfocadas na meditação profunda nem no amor a Deus, mas somente pensam no quão indignas são.

Este é um terrível problema. Todos somos dignos de mérito por sermos filhos de Deus. Temos o direito, o privilégio e a oportunidade de buscá-l’O. Sendo assim, faça-o! Não pense constantemente: “Sou depreciável”. Essa idéia é prejudicial porque lhe faz desperdiçar demasiado tempo deleitando-se na autocompaixão. Além disso, trata-se de uma desculpa inconsciente para não efetuar um esforço maior para buscar Deus com mais afinco: “Sou tão indigno; Ele não poderia querer-me, porque não sou uma boa pessoa”. Estes argumentos são falsos, já que inconscientemente você se diz: “E, além disso, na verdade não sinto o profundo desejo de encontrar Deus; dessa forma, me é mais conveniente atribuir-Lhe a culpa de meus defeitos para justificar desse modo minha falta de esforço”. Quaisquer que sejam as minhas deficiências, sei apenas que o que tento aperfeiçoar nesta vida é o amor a Deus.

Ao me concentrar na tentativa de pensar positivamente e executar, em cada dia de minha vida, ações construtivas ao máximo de minha capacidade, não disponho de tempo para pensar em minhas imperfeições, nem para deter-me em pensar se sou ou não apta para buscar Deus. Simplesmente O busco!

Aprenda a se aceitar e a se gostar, se concentrando naquilo que está tentando se converter. Aceite cada dia como ele se apresenta. Alguém disse: “Cada dia é como uma vistosa folha em branco pronta para ser escrita”. Você tem a maravilhosa oportunidade de escrever, diariamente, sua vida de novo. Procure estar saturado de pensamentos proveitosos, belos e criativos que contribuam para seu próprio bem estar espiritual e dos demais. Quanto mais você concentrar sua mente em Deus e quanto menos pensar em si mesmo e nos seus defeitos, maior será sua sintonia com Deus e com nosso Guru.

Quando você pensa em si de forma negativa, cultiva e alenta sua debilidade espiritual; portanto, não faça isso; desaloje tais pensamentos de sua mente. O passado não lhe pertence; somente o presente e o futuro são seus. Escreva novos pensamentos e novas ações positivas nas páginas que ainda restam em sua vida. É importante que você se recorde disto.