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"A alma que não se abate, que recebe indiferentemente tanto a tristeza como a alegria, vive na vida imortal."Fonte - Bhagavad-Gita

quarta-feira, 6 de março de 2013

Satsang - SRI PREM BABA, 02.02.13 - Índia 2012/2013



Temas: Dia de Yemanjá; reverência à Mãe em suas diversas formas e nomes; o poder e a beleza da fé e da devoção.





(Annapurna Stotram)
É difícil usar palavras depois disso. Quando Deus me pega assim, eu não consigo falar. Eu digo que o silêncio é a eloquência de Deus, porque sempre que entro em êxtase profundo, as palavras desaparecem, e eu preciso fazer algum esforço para voltar. O meu sacrifício é traduzir isso em palavras.
Esses versos são louvores e palavras de adoração à Mãe Universal. Ela que é bela como milhares de sóis, e que flui como Ganges, Yamuna e Saraswati. Esse é um pedido de biksha - o alimento que osadhu pede para alimentar seu corpo. No último verso, pedimos biksha para que ela nos dê o conhecimento, para que nos libertemos do apego ao mundo e nos tornemos livres.
Esse culto ao feminino é talvez o culto mais antigo do planeta Terra, e existe em quase todos os lugares desse mundo. A mãe é reverenciada de diferentes maneiras. Hoje no Brasil é dia de festa, pelo menos para uma comunidade específica, que reverencia a Mãe na forma da Rainha do Mar (Yemanjá). Salvador (Bahia) está em festa. Todos estão fazendo suas oferendas, suas orações e canções para Yemanjá.
Desde cedo, eu tive a compreensão do Um por trás dos muitos. Quando eu era pequeno, educado por uma família cristã, me ensinavam que Jesus era o único caminho; que Jesus era o único filho de Deus. Eu tinha cinco ou seis anos e achava aquilo estranho. Eu tinha um tio que era considerado louco, ele falava para mim: “As pessoas da igreja são muito limitadas, pois todos são filhos de Deus; todos são Deus e todos podem se tornar como Jesus”. Eu entendia o que ele falava. Ele falava que Jesus era um grande mestre, que estava ensinando o caminho para aqueles que podem se tornar como ele. Mas, tudo que esse tio falava era uma heresia para a família. Ele fazia parte de um círculo exotérico, que a família considerava um lugar de pessoas loucas. Com a minha idade, meu coração alegrava quando ouvia meu tio Zézinho falando sobre aquelas coisas, pois aquilo abria meu coração.
Depois, conforme fui crescendo, comecei a perceber que existe um determinado lugar no universo dentro de nós mesmos, onde tudo é uma coisa só – Maria, Maya, Isis, Prosépna, Cibele, Durga, Ganga, Yamuna, Saraswati, Oxum, Yemanjá... Todas elas são Um. Até um determinado estágio, há necessidade da forma e do nome. Cada nome e forma carregam um mito, e esse mito ajuda os povos de determinadas culturas a ressignificar a sua história e compreender a sua jornada. Mas, se você ficar atento, perceberá que todos os mitos dizem respeito a você, porque, na essência, somos Um. Atrás dos nomes e formas, somos todos iguais. Existe esse lugar, onde todas as formas dashakti - a Mãe Universal (chame como quiser) - são a mesma. Assim como as diferentes frequências de luz (vermelho, amarelo, azul, violeta...) são desdobramentos da mesma luz branca.
Dependendo do momento, um grupo precisa de uma frequência específica, para ajudar na integração dos karmas adquiridos durante a jornada. Assim, nós usamos os ritos e símbolos de cada frequência. Mas, quando eu faço isso, é somente para te ajudar a ir além do nome e da forma, para encontrar o princípio único por trás de cada nome e de cada forma. Assim como nós aprendemos a amar Deus através de um ser humano. Esse é um caminho.
O relacionamento é um caminho de transcendência, mas às vezes nos apegamos ao caminho, e nos fixamos na forma. Isso é somente uma passagem. A pessoa verdadeiramente religiosa vê Deus em tudo, e pode reverenciar Deus em todas as suas formas e nomes. Não há separação.
Às vezes eu gosto de cantar para Yemanjá, às vezes para Durga e Lakshmi...

Eu vi uma estrela brilhante refletida nas ondas do mar
Ela veio e disse para mim
Agora tu vais navegar
Navegar no profundo oceano
Saudando as princesas das ondas do mar
Os raios que a luz mandava saudavam os seres das ondas do mar
E eu dentro desse balanço firmado na estrela da Mãe Yemanjá

Esse é um convite para aprofundar o estudo. Esses mantras e canções, esses pujas, e tudo que tem acontecido aqui, assim como a apresentação das crianças que houve hoje, me leva a refletir sobre o poder da fé; sobre esse fenômeno que chamamos de fé, que está intimamente conectado com a devoção - outro fenômeno maravilhosamente estranho nesse planeta. Esses fenômenos são como o telefone do filme matrix, que te conecta ao mundo real. Eu sempre admirei a fé e a devoção. Isso é uma das coisas que mais me tocou aqui na Índia. As pessoas tocam o chão quando um santo passa... Essa reverência e esse respeito pela divindade é algo impressionantemente belo. Reconhecer um santo e reverenciá-lo; reconhecer Deus nas águas do rio e reverenciar; perceber Deus na lua, no sol e nas estrelas e poder reverenciá-los.
Isso é algo que o mundo ocidental perdeu (com raras exceções). Agora estou me lembrando do povo que está lá, festejando Yemanjá com sua fé e devoção. Certa vez alguém disse que, a fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de mover montanhas. Hoje isso é a minha experiência.
A fé e a devoção são o maior poder da alma humana. Para ter fé e devoção autêntica, é preciso ter um tanto de humildade. O orgulho não permite que exista fé e devoção. Por isso, a primeira coisa que eu faço quando um buscador chega até mim, é dar um tapa no seu orgulho. Se você quer realizar Deus, é preciso ir além do orgulho; é preciso iluminar, nem que seja uma pequena porção de humildade, para que através dela, você possa iluminar a autêntica fé e a autêntica devoção.
Abençoado seja cada um de vocês. Que possamos reverenciar a Mãe Universal em todas as suas manifestações. Até o nosso próximo encontro. NAMASTE

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