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"A alma que não se abate, que recebe indiferentemente tanto a tristeza como a alegria, vive na vida imortal."Fonte - Bhagavad-Gita

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Karma





Eu vejo em todas as perguntas um denominador comum. Todos estão à procura de paz, quer seja nos relacionamentos, na relação com o mundo através da escolha da profissão, na relação com o corpo devido à busca da saúde… E assim sucessivamente. Parece que a pergunta que continua a se repetir é: Como superar o sofrimento?
Nós temos cantado constantemente para que haja fim no jogo do sofrimento, e que o jogo da alegria seja iluminado. Cantamos constantemente para que a Divindade desperte em cada um de nós e em todos os lugares, compreendendo que o despertar da Divindade é o que possibilita o fim do sofrimento e a iluminação da alegria.
O que é a Divindade que precisa ser despertada? Temos dado muitos nomes para essa manifestação do Supremo. Temos chamado de Eu superior, Eu real, Eu divino… Muitas vezes, chamamos simplesmente de Deus. Mas, ainda assim, tais nomes e conceitos se tornam distantes. É para facilitar o acesso a essa dimensão do Ser, que eu dou o sinônimo de Amor – Amor consciente, ou seja, amor impessoal e desinteressado.
Quando cantamos PRABHU AP JAGO PARAMATMA JAGO, nós estamos cantando para que esse amor acorde. Nós estamos cantando para que essa capacidade de amar seja iluminada. Essa capacidade de doar-se autenticamente é a expressão mais nítida do Eu divino.
Nós estamos nos movendo em direção a essa capacidade de dar-se ao outro desinteressadamente. Eu tenho muitas vezes chamado essa experiência humana ou essa jornada da alma, como um trânsito do egoísmo para o altruísmo. Isso merece ser melhor compreendido, porque representa a essência da experiência humana neste planeta, já que cada um dos seres humanos estão procurando a paz. Porém, a paz somente desperta, quando você ativa a sua capacidade de se doar desinteressadamente.
É por isso que eu digo que esse altruísmo precisa ser autêntico para iluminar a paz. Porque a mente facilmente fabrica uma máscara de caridade. A mente condicionada a agradar, acredita que pratica caridade. Essa máscara de bondade e de caridade, que eu chamo de falso altruísmo, é fruto do egoísmo. Nesse caso, a entidade humana não está vendo o outro, mas está apenas querendo se livrar do sofrimento. Por exemplo, uma pessoa que tem muito dinheiro, tem culpa de ter tanto dinheiro, então ela dá um pouco para os pobres. Não porque ela está de fato querendo que o outro seja feliz, mas para aliviar a culpa que ela carrega.
Quando o egoísmo produz uma falsa caridade, o alívio é momentâneo. A pessoa sente um conforto devido à diminuição da culpa, mas ela ainda não foi visitada pelo espírito da paz.
Facilmente você pode acreditar que ama, mas, se de fato ama, você estará em paz. A paz é um fruto do amor. Por isso eu acho bastante significativo, quando você pode identificar o seu desamor; quando você pode se despir da máscara do amoroso, da boa pessoa, e identificar que dentro de você tem muita raiva do outro. É mais significativo ainda, quando você pode identificar que essa raiva é devido a uma projeção. Sim, essa raiva é devido a uma projeção.
Projeção significa que você carrega consigo contas abertas com o passado. Este é um ponto no qual eu tenho colocado tanta atenção; que alguns podem ter adormecido e já não ouvem as minhas palavras com lucidez. Então, eu lhe convido a despertar e ouvir-me como se fosse a primeira vez.
Se você está reeditando situações negativas, ou melhor, se você se vê repetidamente caindo no mesmo buraco, isso significa que você está reeditando a ferida infantil na idade adulta. Isso significa que você carrega contas abertas com o passado. Ainda há mágoas e ressentimentos no seu sistema; ainda é difícil olhar nos olhos da mamãe, nos olhos do papai, nos olhos daqueles que compõem a sua constelação familiar, e dizer sinceramente: “Muito obrigado, muito obrigado por absolutamente tudo. Namaste – a Divindade que está em mim, saúda a Divindade que está em você”.
O reconhecimento de tais sentimentos guardados no seu sistema significa que você está se movendo na direção do altruísmo. Isso significa que você está dentro de um processo de cura e que está desatando os nós das heranças. Você está apagando os rastros. Você está trabalhando para se libertar do passado. É claro que “se libertar do passado” é uma metáfora, porque você não se liberta do seu passado nunca, mas você se liberta da identificação com ele. Isso é possível, quando você pode ressignificar o seu passado. Esse novo significado só é possível, quando você compreende o jogo que foi destinado a você. Mesmo que aparentemente o destino tenha sido totalmente cruel.
Certa vez, um aluno dentro de um processo de cura acessou uma memória muito difícil – o pai estava tentando matá-lo afogado em um tanque. Então, ele entrou nessa dor e falou: “Prem Baba, como eu perdôo isso? Como é possível?”
É difícil. Mas, também é muito fácil você criar um vitimismo e ficar nele por muitas encarnações, para ter um motivo para se vingar desse pai que você projeta na vida. Assim, você tem motivos suficientes para não ser bem sucedido e continuar brigando com a vida para sempre.
Esse é um ponto sensível do processo. Porque, se tem repetição negativa, significa que tem dor mesmo. E muitos foram severamente machucados. Outro aluno, neste mesmo retiro de cura, trouxe a memória de que foi violentado pelo pai. Naqueles dias, nós estávamos trabalhando com o portal paterno, por isso esses exemplos. A humilhação que ele carregava dentro dele não era algo pequeno. A impotência que tal humilhação acordou dentro dele não era algo pequeno. E a revolta gerada por essa impotência e por essa humilhação não era pequena. Uma revolta que às vezes se revela como uma paralisação, o que gera um sentimento profundo de angústia e depressão, pelo fato de não poder se mover na vida.
A entidade foi mesmo machucada. É verdade, existe dor. Mas, a história não para por aí. Chegar na dor é importante, mas nós temos que ir além. Há que se receber a visita da sagrada compreensão, para que você possa realizar o motivo de tal violência.
Por que você precisou viver essa experiência? O karma é uma dívida de aprendizado. Mas, fique atento para não racionalizar esse ensinamento e começar de novo a colocar tudo nos porões dos seus sentimentos. Quando, de fato, você recebe a visita da Sagrada Sabedoria e compreende o jogo, você perdoa. Perdoar significa largar o seu projeto de vingança. Você larga e abre o coração. Você compreende que Deus é o seu melhor amigo, e que tudo aconteceu porque precisava acontecer.
Muitos espiritualistas, após lerem alguns livros de auto-ajuda, acabam repetindo algumas frases, algumas afirmações e, assim, acreditam que já perdoaram e fecharam as contas com o passado. Mas, não é tão simples. O perdão não é intelectual, é uma experiência do plano do coração. Todo o seu Ser perdoa. Ao perdoar, você se liberta da dor. Quando você se liberta da dor, não tem mais repetição negativa. O seu caminho se abre e é iluminado. Você deixa de projetar o seu passado nas pessoas com quem você se relaciona. Você não vai mais querer forçar os seus maus pais a tornarem-se bons pais, através dos seus parceiros. Então, o relacionamento começa a entrar numa esfera diferente. São dois adultos se relacionando. Eles podem ter diferenças e visões de mundo diferentes, mas irão tratar isso de uma forma elegante e madura, com respeito, amizade e compreensão.
Se você se libertou das feridas infantis, é fácil você aceitar que o outro pensa diferente de você. A ponto de chegar ao ápice dessa maturidade, que é deixar o outro livre inclusive para não te amar. Ele tem esse direito. O que não significa que você fica feliz com isso… Talvez você fique triste, mas não vai mais querer forçá-lo a te amar. É justamente quando você força o outro a te amar, que você traz o pior dele para fora, e isso faz com que o seu pior venha para fora – e vocês dois dão o pior um para o outro.
Conforme você vai curando as feridas do passado, você entra neste campo de um relacionamento que eu chamo de saudável. Então, você começa de fato a abrir o coração para o outro. Porque em você não há mais os pactos de vingança, os pontos de ódio que querem escravizar e roubar a liberdade do outro. O amor inclui reconhecer o potencial adormecido no outro, e dar força para ele acordar. Você reconhece as sombras e os defeitos do outro, mas não alimenta. Você dá força para a luz. Assim, você vai acordando o amor dentro de você, e vai reconhecendo que tem talentos dentro de você que estão a serviço desse amor. Assim, você começa a usar esses dons e talentos a serviço do amor. A felicidade passa por você para ser dada ao outro, de forma desinteressada. Essa ação acorda a paz.
É muito profundo, mas também muito simples. A mente faz tudo ficar muito complexo, mas é tudo muito simples.
Você pode fugir por quanto tempo quiser, mas um dia você terá que fechar essas contas que estão abertas com o seu passado. Um dia você vai ter que mergulhar no lago da compreensão, perdão e aceitação.
Vamos ficar com essas palavras.
Abençoado seja cada um de vocês. Que todos os seres sejam felizes; que todos seres sejam ditosos; que todos os seres estejam em paz. Até o nosso próximo encontro.
NAMASTE

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