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"A alma que não se abate, que recebe indiferentemente tanto a tristeza como a alegria, vive na vida imortal."Fonte - Bhagavad-Gita

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Prem Baba





Prem Baba
Como andar sob o fio de uma navalha? Isso aqui é uma escola e é muito importante que você possa ir para o mundo colocar em prática aquilo que você aprendeu. Sempre haverá um barulho lá for (nesse momento, um motor foi acionado fora do salão) a, quer seja o barulho de um motor; quer seja a serra elétrica ligada ou quer seja a mente tumultuada de um grupo de pessoas. O cultivo do silêncio está afinando o seu instrumento no diapasão da luz. Estamos nos colocando na frequência da luz.
Mas é mesmo bastante desafiador esse relacionamento com as diferentes frequências de energias. Esse é o seu principal desafio: sustentar o silêncio; manter o coração aberto enquanto você está se relacionando com o outro, que muitas vezes não está presente. Manter o coração aberto quando você está se relacionando com o outro que muitas vezes está com o coração fechado. Manter o amor fluindo, quando muitas vezes está se relacionando com o outro que está sendo canal de ódio; está sendo canal de medo.
Mas muitas vezes você precisa mesmo ficar mais recolhido. Não há nada de errado com isso, são momentos. Quando você está em um estudo fino; quando você está precisando mesmo preservar o campo de prece e sabe que se for para o mundo terá uma grande tendência de se identificar e cair, então neste momento você se permite ficar recolhido. Mas saiba que em algum momento você terá que ir para o mundo e precisará se relacionar. A chave, ou o ponto central dessa questão, é se você está realmente disposto a se doar. Se você está querendo ver o outro feliz; se você já está em condições de começar esse estudo mais elevado que é ser canal da generosidade; que é poder realmente partilhar esse silêncio, esse amor com os demais, mesmo que eles nem saibam disso; mesmo que conscientemente eles nem queiram isso ou pior, tenham até raiva disso.
Lembre-se de que o que caracteriza a maturidade espiritual é essa capacidade de se doar. Se você não está neste momento, ok. Também não vai criar a máscara do bondoso, do generoso, do espiritual. Ok, então admita o seu egoísmo. Eu não tenho nada para dar neste momento mesmo. Não quero dar nada neste momento. É uma passagem também absolutamente natural. Mas saiba que você está se movendo do egoísmo para o altruísmo. Você pode não estar ainda podendo ser canal do altruísmo, mas em algum momento você poderá manifestar isso. Não se cobre, não se culpe, mas saiba, não se engane.
Em algum momento essa capacidade de perdoar e de amar precisa ser iluminada. Em algum momento você vai precisar renunciar o jogo de acusações, porque é a acusação que faz seu coração ficar fechado. Se o coração está fechado, vá investigar e você vai encontrar a acusação. Às vezes, essa acusação está tão arraigada, você está tão viciado neste jogo que nem percebe. Você faz mecanicamente. Se existe acusação, tem comparação. E a comparação e o julgamento abrem as portas do inferno. Aí você acaba realmente acordando sua natureza inferior. Então, você perde o silêncio, perde o amor que foi conquistado.
Isso tudo você vai aprendendo na vida, à medida em que você se permite se relacionar. Você não tem como fugir de relacionamentos, porque a vida é relacionamento. Você se relaciona com outro ser humano, relaciona-se com os objetos ou com seus próprios pensamentos, mas você vai sempre precisar se relacionar com alguém ou com alguma coisa. Muitas vezes não importa com quem você está se relacionando. Eu vi uma vez uma pessoa tropicando em um degrau da escada e chutando a escada porque tinha tropicado, culpando o degrau porque tinha derrubado-o. Então, não faz muita diferença. Quando a sua mente está condicionada e viciada no jogo de acusações, você arruma briga até com o vento. Arruma briga com a chuva.
Namastê

sábado, 21 de junho de 2014

Dabraka




A antiga língua egípcia, Dab: comunicação, linguagem;
Ra: divino, santo e sagrado;
Ka: alma duas vezes.

Traduzido: palavra santo, santo linguagem, divina com a alma ..

Os dabrakás são combinações de letras que formam palavras que não pertencem a uma linguagem racional, por isso não á tradução. Eles pertencem à linguagem da alma. Ao repetir mentalmente, em silêncio e com um desejo no coração, eles funcionam como "códigos" para abrir um portal interno. E chegar a forças da Aura ou energias que são capazes de transformar a vida para a plena realização do sonhos. 

É uma grande meditação mística, na qual você pode se comunicar com sua própria essência, sua alma e iluminar a sua mente para encontrar as melhores soluções para a sua vida. 
Sacerdotes egípcios antigos disse: "Se você entrar no templo, Deus não vai ouvir." Significando assim explicar que para fazer um Dabraká tem que ter a mente fixada no objetivo de dominar as adversidades com fé e espírito na meditação, assim livre dos tumultos internos é que Deus poderá aparecer,

Como Dabraká prática mística: 

Meditar é importante ter o lugar certo, onde você pode ficar tranqüilo, sem interrupção durante vários minutos. É conveniente que este lugar seja sempre o mesmo, e onde você pode ter os elementos necessários: velas, incenso, cobre .... Não ter  contacto com a pele (anéis, pulseiras, brincos ...) com excepção do ouro, o que não afeta a prática. 

1. Antes de preparar a meditar, coloque as mãos em água corrente por alguns minutos, enquanto repetindo mentalmente o TASH dabraká LEJ. Esta concentração vai ajudar a limpar por um momento as preocupações e as questões pendentes, deixando a mais disposta a meditar. 

2. Acenda uma vela branca, sua mente concentrada  sobre a chama. Este exercício vai ajudar a desviar os pensamentos que invadem e, portanto, pode alcançar uma maior concentração. Após esta preparação, proceda conforme indicado pelo dabraká 

3. Marque e objetivo do projeto que você deseja alcançar, uma projeção mental para onde direcionar a energia de Dabraká. Por exemplo: se você precisa de trabalho, imagine que você está trabalhando. 

4. Começa concentração Dabraká em si mesmo, feche os olhos e mentalmente repeti essa combinação de letras. 

5. Uma técnica simples e eficaz para ajudar a visualizar a concentração está escrito letras como se você estivesse vendo um cartaz. A imagem ajuda a manter as palavras em mente sem invadir pensamentos. Ele também pode ajudar, por vezes, vocalizar sílabas antes de iniciar a concentração.

Aquietar a Mente: TASH LE "J"

Desenvolver um Coração Inteligente: MERI ASHABA"J"

Desenvolver a sensibilidade e humanismo: AZU BIRI

Harmonizar convivencia: SHU MAAT

Melhorar a auto-estima: AVUNT

Superar bloqueios no plano profissional: ARISH BO

Reverter uma situação econômica negativa: NETZA"J" KESER AVET

Controlar impulsos destrutivos: SHOE  A "J" AIM

Encontrar a razão dos nossos problemas: PHAT LA "J" KA

Combater influências negativas: EBETAIR


Luz 
Lu Perez

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Um grande ensinamento!


PREPAREM-SE PARA O SOLSTÍCIO DE 21 DE JUNHO COM AS BÊNÇÃOS DA TEMPORADA DE WESAK





Mensagem de Selácia
19 de Junho de 2014


O Solstício de 21 de Junho neste final de semana é um marcador auspicioso no meio do ano, um momento em que vocês podem refletir sobre onde estão na vida e de se conectarem com o estímulo espiritual para os próximos meses.

É um momento, também, de comemorar a mudança nas estações e de reconhecer os ritmos naturais que os conectam com a vibração do cosmos.

À medida que vocês se sentem mais conectados com a dança natural da vida, tornam-se mais desembaraçados em todos os níveis – adquirindo clareza ao expressar o seu propósito, catalisando o seu avanço, e tendo a frequência mais elevada que vocês precisam para ser uma poderosa força de cura no mundo.

O Solstício também coincide com o auge da temporada de Wesak, o que lhes permite ligar-se a níveis ampliados de luz e bênçãos disponíveis para várias semanas a cada ano. 

Não é necessário conhecer algo sobre o Wesak ou sobre os mestres iluminados, associados a ele, para serem afetados por esta benéfica energia. Saber que estas energias existem antes do Solstício, no entanto, é um benefício, porque enquanto as bênçãos estiverem em seu radar, vocês poderão convidá-las intencionalmente.

TRÊS CONTEMPLAÇÕES SOBRE O SOLSTÍCIO

Antes do Solstício, considerem contemplar os seguintes temas e a sua relevância em sua vida pessoal.

Primeiro, está numa conexão com o feminino divino – não relacionado com o gênero, mas como a fonte da criação e da criatividade. Convidem uma conexão mais forte e mais tangível com esta energia essencial. Peçam para que lhes sejam mostrados através de sonhos e de acasos na vida como podem honrar mais o princípio feminino. Convidem uma compreensão de onde estão fora do equilíbrio, onde estão bloqueando o seu próprio fluxo e onde se impedem de receber.

Segundo, está numa conexão com os dons que vocês, como uma alma, estão interessados em expressar no mundo. Peçam para compreender estes a partir da perspectiva do espírito. Peçam um conhecimento de como vocês não consideram os seus próprios dons, como os retêm, ou como ignoram os ritmos naturais quando oferecem os seus dons aos outros.

Terceiro, está numa conexão com o amor que habita naturalmente dentro de vocês, sempre presente e disponível. Peçam ao espírito para revelar exemplos de como este amor é a mais poderosa força transformadora que vocês têm. Convidem um conhecimento das maneiras com que o seu amor ajuda outros a despertar, ajuda a trazer conforto, e ajuda a mostrar às pessoas a saída do seu próprio sofrimento.




Namastê

domingo, 15 de junho de 2014

As Quatro Nobres Verdades são



Ao ilu­mi­nar-se, o Buda Shakyamuni viu que o uni­ver­so dos fenô­me­nos fun­cio­na de acordo com a ver­da­de da Gêne­se Con­di­cio­na­da. Quando deci­diu ensi­nar o que tinha vis­to, o Buda per­ce­beu que a Gênese Condicionada seria de difí­cil com­preen­são e pode­ria até gerar medo se fosse expli­ca­da de pron­to. Por isso, em vez de começar pela Gênese Condicionada, o Buda ensinou primei­ro as Quatro Nobres Verdades. O primeiro perío­do dos ensi­na­men­tos do Buda é cha­ma­do “Primeiro Giro da Roda do Darma”.
As Quatro Nobres Verdades não dife­rem da ver­da­de da Gênese Condicionada e, por certo, não a con­tra­di­zem. Elas sim­ples­men­te diri­gem o foco da Gênese Condicionada para a vida huma­na, fazen­do com que esta pare­ça mais rele­van­te para as pes­soas e fique mais fácil de enten­der.

As Quatro Nobres Verdades são:
  •  ver­da­de do sofri­men­to;
  • ver­da­de da ori­gem do sofri­men­to;
  • ver­da­de da ces­sa­ção do sofri­men­to;
  • ver­da­de do cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofri­men­to.
A pala­vra “sofri­men­to” nesse con­tex­to é a tra­du­ção con­sa­gra­da do sânscri­to dukkha, cujo significado mais aproxi­mado seria o de “insa­tis­fa­ção”.

Significado Profundo das Quatro Nobres Verdades
O uso da pala­vra “ver­da­de” nas “Quatro Nobres Verdades” é expli­ca­da da seguin­te manei­ra no Shastra Yogachara-bhumi (Tratado sobre os Estágios da Prática da Ioga): “Da ver­da­de do sofri­men­to à ver­da­de do cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofrimen­to, não há nada que seja falso ou enga­no­so e, por­tan­to, tudo isso é con­si­de­ra­do ‘verdadeiro’”.
O mesmo livro expli­ca a pala­vra “nobre”, nas “Quatro Nobres Verdades” deste modo: “Somente os nobres con­se­guem com­preen­der essas ver­da­des e con­tem­plá-las. Os ignoran­tes não conseguem com­preen­dê-las ou contemplá-las. Portanto, essas ver­da­des são cha­ma­das ‘Nobres’ Verdades”.
Comentário sobre o Tratado da Visão do Meio diz: “As Quatro Nobres Verdades são o ponto de passagem entre a ilu­são e a ilu­mi­na­ção. Quan­do elas não são com­preen­di­das, persis­te o apego aos Seis Reinos. Se com­preen­di­das, alcan­ça-se a san­ti­da­de”.
 De acor­do com o Sutra dos Ensinamentos Legados pelo Buda: “A Lua pode se aque­cer e o Sol ­esfriar, mas as Quatro Nobres Verdades nunca mudarão”.
As Quatro Nobres Verdades estão no cerne da vida. Explicam todos os esta­dos de consciên­cia exis­ten­tes no uni­ver­so e ensi­nam como se liber­tar de todas as for­mas de ilusão.
É neces­sá­rio sabe­do­ria para com­preen­der as Quatro Nobres Verdades. A pri­mei­ra verdade diz que a vida é cheia de sofri­men­to. A segun­da, que o sofri­men­to é cau­sa­do por nosso apego à ilu­são. A ter­cei­ra ver­da­de diz que a ilu­mi­na­ção, ou a total liber­ta­ção do sofrimento, é pos­sí­vel. A últi­ma diz como alcan­çar a ilu­mi­na­ção.
As duas pri­mei­ras Nobres Verdades têm rela­ção de causa e efei­to entre si. A primei­ra é o efei­to; a segun­da é a causa. Igual rela­ção exis­te entre a tercei­ra e a quar­ta, sendo a ter­cei­ra o efei­to cau­sa­do pela quar­ta.
À pri­mei­ra vista, cabe per­gun­tar por que o Buda colo­cou as Quatro Nobres Verdades nessa ordem. Não pare­ce­ria mais lógi­co que a segun­da e a quar­ta ver­da­des, ambas cau­sas, vies­sem antes da pri­mei­ra e da ter­cei­ra, que são os efei­tos? Ainda que em ordem dife­ren­te, as Quatro Nobres Verdades con­ti­nua­riam sendo com­preen­sí­veis. Contudo, a sequên­cia esco­lhi­da pelo Buda per­mi­te que as ver­da­des sejam ensi­na­das da forma mais efi­caz possível.
Para a maio­ria das pes­soas, é mais fácil enten­der pri­mei­ro o efei­to, –depois sua causa. Por isso, o Buda apre­sen­tou pri­mei­ro a ver­da­de do sofrimento e ­depois expli­cou a causa do sofri­men­to. Assim que se compreendem as duas pri­mei­ras Nobres Verdades, é natu­ral que­rer se liber­tar delas. Para aju­dar-nos a enten­der como alcan­çar essa liber­ta­ção, o Buda ensinou a Terceira Nobre Verdade, que é a ces­sa­ção do sofri­men­to, e por fim a Quarta Nobre Verdade, que é o cami­nho para a ces­sa­ção do sofri­men­to.
O Buda come­çou por des­cre­ver o pro­ble­ma, ­depois expli­cou sua causa. Em seguida, contou a solu­ção do pro­ble­ma e ensi­nou como che­gar à solu­ção. Um ele­men­to fundamental dos ensi­na­men­tos do Buda é a imen­sa com­pai­xão que trans­pa­re­ce na elaboração de expli­ca­ções, fei­tas de modo a serem compreen­di­das por qual­quer pes­soa que real­men­te se empe­nhe. A Gênese Condicionada e as Quatro Nobres Verdades são verda­des muito pro­fun­das. Aquele que as estu­dar lon­ga­men­te vai perceber quão inteligente e quão compassivo foi o Buda, ao con­se­guir expli­cá-las de forma tão clara.

A Primeira Nobre Verdade
A Primeira Nobre Verdade é a ver­da­de do sofri­men­to. O Buda viu com per­fei­ta cla­re­za algo que as pes­soas vis­lum­bram oca­sio­nal­men­te: não é possível ao ser huma­no con­quis­tar total satis­fa­ção neste mundo. O sofri­men­to é des­cri­to de mui­tas for­mas diferentes nos sutras budis­tas. As três fundamentais serão abor­da­das nos pará­gra­fos a seguir, deven­do-se obser­var que as clas­si­fi­ca­ções de sofri­men­to apre­sen­ta­das não são quali­ta­ti­va­men­te diferen­tes, mas ape­nas for­mas dife­ren­tes de abor­dar um mesmo problema.

Os dois sofri­men­tos
Os “dois sofri­men­tos” são o inter­no e o exter­no, sendo esta a classificação mais elementar encon­tra­da nos ­sutras budis­tas. Essa é a manei­ra mais bási­ca de com­preen­der o sofrimento. Sofrimentos inter­nos são aque­les que geral­men­te con­si­de­ra­mos parte de nós, como dor físi­ca, ansie­da­de, medo, ciúme, sus­pei­ta, raiva e assim por dian­te. Sofrimentos exter­nos são aque­les que pare­cem vir de fora, incluin­do vento, chuva, frio, calor, seca, ani­mais selvagens, catás­tro­fes natu­rais, guer­ras, cri­mes e assim por dian­te. Não é possí­vel evi­tar – nenhum dos dois tipos.

Os três sofri­men­tos
 Esta é uma clas­si­fi­ca­ção basea­da mais na qua­li­da­de do sofri­men­to do que em sua ori­gem ou tipo. O pri­mei­ro dos três sofri­men­tos é o ine­ren­te, aquele a que esta­mos sujeitos pelo sim­ples fato de estar­mos vivos. O segun­do é o sofri­men­to laten­te, aque­le que está presente mesmo nos momen­tos mais feli­zes: coi­sas se que­bram, pes­soas morrem, tudo enve­lhe­ce e se dete­rio­ra, até os melho­res momen­tos che­gam ao fim. O tercei­ro sofrimento é o ativo, causa­do por estar­mos pre­sos em um mundo de ilu­são constantemente mutável. No mundo da ilu­são, temos pouco ou ­nenhum con­tro­le sobre nossa vida. Sentimos ansieda­de, medo e impo­tên­cia à medi­da que vemos tudo se transforman­do de um dia para o outro.

Os oito sofri­men­tos 
Os oitosofri­men­tos des­cre­vem de modo mais deta­lha­do o sofri­men­to a que estão sujei­tos todos os seres sen­cien­tes e são clas­si­fi­ca­dos com base naqui­lo que os defi­ne. São eles:
Nascimento. Após ­vários meses de peri­go den­tro do ven­tre da mãe, final­men­te, sentimos a dor e o medo do nas­ci­men­to. Depois disso, tudo pode acon­te­cer. Somos como prisioneiros do corpo e do mundo onde nas­ce­mos.
Envelhecimento. Se formos, suficientemente, afortunados para não sermos mortos na juven­tu­de, tere­mos de enfren­tar o pro­ces­so de envelhecimen­to, ­sofrer a dete­rio­ra­ção do corpo e da mente enquanto assistimos o desa­pa­re­ci­men­to de nos­sos ami­gos, um por um.
Doença. A saúde é um pra­zer por ser tão con­tras­tan­te com a doen­ça. Todos, em algum momen­to, ­sofrem a dor e a humilhação da doença.
Morte. Mesmo que a vida seja con­si­de­ra­da per­fei­ta,a morte é ine­vi­tá­vel.A morte, quando não é repen­ti­na e ater­ra­do­ra, é geral­men­te lenta e dolo­ro­sa. Somos como folhas ao vento. Ninguém sabe o dia de ama­nhã.
Perda de um amor. Às vezes, per­de­mos ­alguém que ama­mos; ­outras vezes, nosso amor não é retri­buí­do. Não exis­te quem não sofra por não poder estar sem­pre com aqueles que ama.
Ser odia­do. Ninguém quer ini­mi­gos; entre­tan­to, é difí­cil evitá-los neste mundo.
Desejo não rea­li­za­do. Nossos anseios e dese­jos deter­mi­nam em gran­de medi­da quem somos. Limitam nossa capa­ci­da­de de enten­der o Darma, além de nos causar infin­dá­veis pro­ble­mas. E, o que é pior, a maio­ria deles – jamais chega a ser satisfeita, causan­do-nos duas vezes mais pro­ble­mas.
Os Cinco Skandhas. Estes são: forma, sen­sa­ção, per­cep­ção, ati­vi­da­de e consciência. Eles cons­ti­tuem os “tijo­los” da exis­tên­cia cons­cien­te e o meio para a manifesta­ção do sofri­men­to. Os Cinco Skandhas são como uma fonte ilimi­ta­da de combus­tí­vel a gerar dor e sofri­men­to, vida após vida.

Causas fun­da­men­tais do sofri­men­to 
Nos pará­gra­fos ante­rio­res, mos­tra­mos como os budis­tas veem a vida huma­na atola­da no sofri­men­to. Nos seguin­tes, o tópi­co sofrimento será analisado com mais pro­fun­di­da­de, pelo delineamen­to de algu­mas de suas causas fun­da­men­tais:
O Eu não está em perfeita harmonia com o mundo material. É necessá­rio esfor­ço cons­tan­te para encon­trar­mos con­for­to neste mundo. O clima é sem­pre quen­te ­demais ou frio ­demais, nos­sas pos­ses exi­gem cui­da­do cons­tan­te, nossa casa é muito velha ou muito peque­na, as ruas são muito baru­lhen­tas, os sapa­tos se gas­tam e assim por dian­te. O mundo mate­rial raramen­te se apre­sen­ta da forma como gos­ta­ría­mos que fosse.
O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com as ­outras pes­soas. Na maio­ria das vezes, não pode­mos estar na com­pa­nhia daque­les com quem gostaría­mos de estar, mas somos obri­ga­dos a supor­tar a presença de pes­soas com as quais temos difi­cul­da­de de relacionamen­to. Não raro somos até mesmo for­ça­dos a conviver com pessoas que aber­ta­men­te não gos­tam de nós.
O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com o corpo. O corpo nasce, enve­lhe­ce, adoe­ce e morre. O “eu” tem pouco ou ­nenhum con­tro­le sobre esse pro­ces­so.
O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com a mente. Nossa mente está fre­quen­te­men­te além do nosso con­tro­le, dis­pa­ran­do de uma ideia para outra como um cava­lo sel­va­gem ao vento. A ati­vi­da­de men­tal ilu­di­da é a fonte de todo o nosso sofrimento.
O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com os seus dese­jos. O “eu” pode com­preen­der que os dese­jos geram carma e sofrimento, mas isso não sig­ni­fi­ca que seja capaz de con­tro­lá-los com faci­li­da­de. O autocon­tro­le é difí­cil jus­ta­men­te por­que o que que­re­mos com mais inten­si­da­de nem sempre é o que sabe­mos ser o ­melhor para nós. Se nem mesmo ten­tar­mos con­tro­lar nossos dese­jos e dei­xar­mos que eles tomem conta de nós, o “eu” sofre­rá ainda mais.
O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com as suas opi­niões. Basicamente, isso sig­ni­fi­ca que nos­sas opi­niões são erra­das. Quando nos­sas cren­ças não estão ali­nha­das com a ver­da­de, cau­sa­mos a nós pró­prios infindáveis pro­ble­mas, pois teremos a ten­dên­cia de repe­tir os mes­mos erros mui­tas vezes.
O Eu não está em per­fei­ta har­mo­nia com a natu­re­za. Chuva, enchentes, secas, tem­pes­ta­des, mare­mo­tos e todas as ­outras for­ças da natureza não estão sob nosso con­tro­le e podem, frequentemente, nos fazer sofrer.
O Buda ensi­nou a ver­da­de do sofri­men­to não para nos fazer deses­pe­rar, mas para nos ajudar a reco­nhe­cer com cla­re­za as rea­li­da­des da vida. Compreendendo o alcan­ce do sofrimen­to e a impos­si­bi­li­da­de de evitá-lo, devemos nos sen­tir ins­pi­ra­dos a supe­rá-lo. Reconhecer a Primeira Nobre Verdade é o pri­mei­ro passo de um pro­ces­so que deve nos levar a que­rer compreen­der a Segunda Nobre Verdade.

A Segunda Nobre Verdade
A Segunda Nobre Verdade é a ver­da­de da ori­gem do sofri­men­to, que está na cobiça, na raiva e na igno­rân­cia. Os seres sen­cien­tes acor­ren­tam-se ao penoso e ilusivo mundo dos fenômenos, por causa de seu forte apego a essas fon­tes de ilusão, tam­bém conheci­das como os Três Venenos.

A Terceira Nobre Verdade
A Terceira Nobre Verdade é a ver­da­de da ces­sa­ção do sofri­men­to. “Cessação do sofrimen­to” é o mesmo que nir­va­na, um esta­do que não pode ser des­cri­to por meio de pala­vras. É algo que está além de cobi­ça, raiva, ignorân­cia e sofri­men­to; além da dualidade e das dis­tin­ções entre certo e errado, você e os ­outros, bem e mal, vida e morte.

A Quarta Nobre Verdade 
A Quarta Nobre Verdade é a ver­da­de do cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofrimen­to, aque­le que nos mos­tra como supe­rar as cau­sas do sofri­men­to. É o cami­nho rumo ao nirvana. A forma mais sim­ples de supe­rar as cau­sas do sofri­men­to é ­seguir o Nobre Caminho Óctu­plo, que ana­li­sa­re­mos em deta­lhe em outro Capítulo.

A Importância das Quatro ­Nobres Verdade 
As Quatro Nobres Verdades foram os pri­mei­ros e tam­bém os últi­mos ensinamentos do Buda. Ao apro­xi­mar-se do momen­to de sua morte, o Buda disse aos discí­pu­los que, se tives­sem algu­ma dúvi­da quan­to à vali­da­de das Quatro Nobres Verdades, deve­riam se pronun­ciar, pois assim pode­riam obter as res­pos­tas antes que fosse tarde demais. A atenção que o Buda devo­tou às Quatro Nobres Verdades nos 45 anos em que se dedi­cou a ensi­nar assi­na­la a impor­tân­cia que atri­buía a elas.
Para faci­li­tar a plena com­preen­são da men­sa­gem do Buda, seus anos de ensi­no são geralmen­te clas­si­fi­ca­dos em três perío­dos, tam­bém denominados “Três Giros da Roda” ou “Três Giros da Roda do Darma”. Essa divi­são nos ajuda a compreender os ensinamentos do Buda, por­que nos dá três diferentes ângulos, ou pers­pec­ti­vas, sob os quais ver as mes­mas verdades.

O Giro Expli­ca­ti­vo da Roda do Darma 
O pri­mei­ro perío­do do ensi­na­men­to do Buda é cha­ma­do de “Pri­mei­ro giro da Roda do Darma” ou “Giro expli­ca­ti­vo da Roda”. Foi nessa época que o Buda expôs as ver­da­des bási­cas em que se fun­da­men­ta sua ilu­mi­na­ção.
A res­pei­to das Quatro Nobres Verdades, disse ele no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é o sofri­men­to; tem a natu­re­za ‘opres­si­va’. Esta é a causa do sofri­men­to; tem a natu­re­za de ‘apego’, ‘aferro’ ou ‘acú­mu­lo’. Isto é a cessa­ção do sofri­men­to; tem a natu­re­za de ‘compreen­são’ ou ‘des­per­tar’. Este é o cami­nho para a cessação do sofri­men­to; tem a natu­re­za de ‘cultivo’”.

O Giro Per­sua­si­vo da Roda do Darma 
O segun­do giro da Roda do Darma é tam­bém conhe­ci­do como “Giro persua­si­vo da Roda” por­que se refe­re ao perío­do em que o Budacon­ven­ceu seus dis­cí­pu­los a extinguir o sofrimen­to atra­vés da com­preen­são total das Quatro Nobres Verdades. Nessa época, ele abor­dou essas ver­da­des da seguin­te manei­ra, no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é sofri­men­to, vocês devem com­preen­dê-lo. Esta é a causa do sofri­men­to, vocês devem eli­mi­ná-la. Esta é a ces­sa­ção do sofri­men­to, vocês devem des­per­tar para ela. Este é o cami­nho para a ces­sa­ção do sofri­men­to, vocês devem praticá-lo”.

O Giro Com­pro­va­do da Roda do Darma 
O ter­cei­ro giro da Roda do Darma tam­bém é cha­ma­do de “Giro Comprova­do da Roda”, por­que nesse perío­do o Buda se colo­cou como exemplo de alguém que havia alcançado a completa ilu­mi­na­ção, dizendo que, se ele con­se­gui­ra, todos pode­riam con­se­guir também. Nessa época, ele falou da seguin­te forma sobre as Quatro Nobres Verdades, no Sutra Dharma-chakra (Sutra sobre os Giros da Roda do Darma): “Isto é sofri­men­to, eu o conhe­ço. Esta é a causa do sofri­men­to, eu já a eli­mi­nei. Esta é a cessação do sofrimento, já des­per­tei para ela. Este é o cami­nho que leva à ces­sa­ção do sofri­men­to, já o pra­ti­quei”.
O Buda é algumas vezes cha­ma­do de “O gran­de médi­co”, uma vez que os seus ensinamen­tos podem nos curar do nosso apego doen­tio à ilu­são. A melhor forma de aca­bar com o sofri­men­to é compreen­der bem as Quatro Nobres Verdades, por­que, ­depois disso, será muito mais fácil entender os outros ensi­na­men­tos do Buda.
A com­preen­são e a prá­ti­ca dos ensi­na­men­tos do Buda levam infalivelmen­te à liberta­ção da dor e do sofri­men­to. O Buda é o médi­co e tem o remé­dio; só pre­ci­sa­mos tomá-lo. As Quatro Nobres Verdades do Buda constituem a cura para o sofri­men­to humano.
O gran­de bodisatva Manjushri (...) disse à assembleia de bodisatvas:
“Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade do Sofrimento tem vários sig­ni­fi­ca­dos, como retri­bui­ção, opres­são, mudan­ça cons­tan­te, apego às condições, agru­pa­men­to de con­di­ções, dor dilaceran­te, dependência dos sentidos, loucu­ra, doen­ça e estu­pi­dez.
Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade da Origem do Sofrimento tem mui­tos sig­ni­fi­ca­dos, como apego, des­trui­ção, amor obs­ti­na­do, pensamen­to ilu­di­do, sedu­ção do dese­jo, deter­mi­na­ção errô­nea, teia de condi­ções, discur­so vazio, pas­si­vi­da­de e afer­ro a fon­tes degra­da­das.
Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade da Cessação do Sofrimento tem ­vários significados, como não argu­men­ta­ção, dei­xar a poeira para trás, paz per­fei­ta, não ter percepção ilusória, estar além da deterioração, não ter natureza de seu próprio ser, não ter obs­tá­cu­los, extinção, saber a ver­da­de e habi­tar na natu­re­za de seu próprio ser.
Discípulos do Buda deste mundo Saha, a Nobre Verdade do Caminho da Cessação do Sofrimento tem muitos significa­dos, como o Veículo Único, dese­jo de tranqui­li­da­de, o guia, ple­ni­tu­de sem dis­tin­ções, equa­ni­mi­da­de, renúncia, não ter ­anseios, ­seguir os pas­sos dos san­tos, o cami­nho dos sábios e os dez tesou­ros.
Discípulos do Buda deste mundo Saha, as Quatro Nobres Verdades têm qua­tro qua­tri­lhões de nomes e signi­fi­ca­dos, que são com­preen­di­dos pelos seres sen­cien­tes conforme as suas ten­dên­cias. Essa plu­ra­li­da­de de significa­dos mos­tra aos seres sencien­tes como con­quis­tar o con­tro­le sobre a mente”.
Sutra Avatamsaka (Sutra da Guirlanda de Flores)

Capítulo 2 do livro Budismo Significados Profundos, Venerável Mestre Hsing Yün,
Escrituras Editora, 2ª edição revisada e ampliada, São Paulo, dezembro de 2011.

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Não pense que vc pode salvar o mundo e de verdade não queira, essa é a visão do ego superior. Faça sua parte bem feito trate bem as pessoas, tenha qualidade de presença, qualidade na escuta, se alinhe com todas as graças do universo para que cuidando de você o outro possa receber em vibração e nas suas ações o ensinamento. Faça sua parte bem feito que o resto a vida faz.

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